Focus mostra dólar a R$ 5,45 em dezembro, mas moeda já passa de R$ 5,75

    Alta foi causada pela desancoragem das expectativas de inflação

    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

    A edição mais recente do Relatório Focus, publicada na segunda-feira (28), mostra que a mediana das projeções dos profissionais do mercado financeiro indica uma taxa de câmbio a R$ 5,45 no fim de 2024. Na terça-feira (29), no entanto, a moeda americana encerrou o dia negociada a R$ 5,76, uma diferença a maior de 31 centavos ou 5,6%, segundo informações da Forbes Brasil.

    Segundo Alexandre Viotto, responsável pela mesa de câmbio da EQI Investimentos, “é muito provável que as casas que contribuem para a pesquisa Focus estejam aos poucos alterando suas previsões para uma taxa de câmbio mais próxima de R$ 6,00 ainda em 2024”.

    Para ele, a perspectiva de uma vitória de Donald Trump na eleição americana de novembro e uma inflação elevada nos Estados Unidos (EUA) deverão manter os juros americanos em alta. Já no Brasil, a percepção de um cenário fiscal “mais debilitado” e as tradicionais remessas ao exterior no fim do ano tendem a manter o real pressionado.

    Alan Martins, analista da Nova Futura Investimentos, avalia que o desalinhamento entre as expectativas no Focus e as cotações do dólar está muito ligado às expectativas do mercado de desancoragem das expectativas de inflação, e também às perspectivas de piora da situação fiscal.

    “O câmbio é altamente sensível à confiança dos investidores, e o pessimismo tende a manter o dólar elevado em momentos de incerteza. Essa pressão geralmente se atenua, mas, no curto prazo, reflete o pior cenário, enquanto o Focus tende a olhar para o equilíbrio”, diz Jonas Carvalho, CEO da Hike Capital.

    O cenário externo é bastante importante, diz ele. “Um aumento de juros nos EUA, por exemplo, tende a valorizar o dólar e fortalecer o fluxo para fora do Brasil. Se o mercado acredita que o FED pode manter ou elevar juros por mais tempo, isso pressionará o dólar. Já o Focus pode estar apostando numa diminuição dessa pressão com cortes de juros pelo BC aqui e estabilização da política do FED. A previsão do Focus pode não estar levando em conta a complexidade do cenário atual ou pode ser otimista em relação a uma recuperação rápida do real”.