Bahia quadruplica denúncias contra policiais em meio a recorde de letalidade, diz jornal

    Ações integradas da Corregedoria e Ministério Público ganham tração, que resultaram 156 agentes denunciados no último biênio

    A ação é realizada conjuntamente pela Força Correcional Especial Integrada (Force) da Corregedoria-Geral da Secretaria da Segurança Pública, Corregedoria da Polícia Militar, Polícia Federal e Ministério Público Estadual. A SSP não divulgou os municípios em que as ordens judiciais estão sendo cumpridas. Na primeira fase, a operação localizou armas, celulares, vasta quantidade de munição e mais de R$ 50 mil em espécie.

    Estado líder em letalidade policial no país, a Bahia quadruplicou o número de policiais denunciados por crimes como homicídio, formação de grupo de extermínio, fraude processual, tortura e extorsão.

    Reportagem do jornal Folha de S. Paulo apontam que, no biênio 2021 e 2022, foram 36 policiais denunciados pelo Ministério Público da Bahia, número que saltou para 156 no período de janeiro de 2023 a dezembro de 2024.

    Ao todo, 32 policiais foram presos nos últimos dois anos, 4 foram condenados e 122 foram alvos de operações conjuntas conduzidas pelo Ministério Público e Secretaria Estadual de Segurança Pública.

    O avanço acontece em meio a uma crise na segurança pública, principal gargalo da gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT). O cenário inclui acirramento da disputa entre facções criminosas, o crescimento da atuação de milícias e a explosão da letalidade policial.

    Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram a Bahia como o estado com maior número absoluto de mortes violentas do país. De janeiro a outubro deste ano, foram 5.012 registros de mortes letais intencionais.

    Deste total, 1.344 mortes foram decorrentes de ações das forças de segurança, número que coloca o estado na liderança em letalidade policial. A Bahia deve fechar 2024 com o posto de polícia que mais mata no país, mas deve reverter uma curva de crescimento da letalidade registrada desde 2015.

    A redução da letalidade passa por um trabalho de integração entre a Secretaria de Segurança Pública e o Ministério Público, com ações preventivas, baseadas em inteligência, e ostensivas, com operações policiais.