Se for provado, só tem uma saída: ser preso, diz Lula sobre denúncia contra Bolsonaro

    O presidente ainda afirmou que aliados de Bolsonaro estão "se condenando sozinhos ao pedir anistia antes de serem julgadas"

    Foto: Renato Pizzutto / Band

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definiu nesta quinta-feira (20) as acusações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), como “extremamente graves” e afirmou que, caso sejam comprovadas, devem levar à prisão do ex-mandatário.

    “Se for provada a participação do ex-presidente e do primeiro escalão dele na tentativa de morte de um ministro da Corte eleitoral, do presidente da República e do vice-presidente, isso é algo extremamente grave. E, se for provado, só tem uma saída: ser preso”, declarou Lula em entrevista à rádio Tupi, nesta quinta-feira (20).

    Segundo matéria do InfoMoney, Lula ainda criticou o movimento de aliados do ex-presidente que pedem a aprovação de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro e na tentativa de golpe de Estado, antes mesmo da conclusão do julgamento.

    “Essas pessoas estão se condenando sozinhas ao pedir anistia antes de serem julgadas. O cidadão deveria estar dizendo: ‘Sou inocente’. Mas ele está dizendo: ‘Gente, sou culpado. Tentei bolar um plano para matar o Lula, o Alckmin, o Alexandre de Moraes, mas não deu certo porque tive diarreia no dia e fugi para os Estados Unidos antecipadamente’. Então, por favor, me perdoe antes de ser condenado”, ironizou.

    De acordo com o petista, a lei será aplicada a todos: “Não [perdoaremos]. Você vai conhecer que, neste País, a lei é verdadeiramente para todos. Se cometeu o crime pelo qual foi acusado, será preso.”

    O presidente pontuou também que detalhes da denúncia da PGR apontam que havia um plano de perpetuação da família Bolsonaro no poder. “Ele [Bolsonaro] queria transformar o poder em algo hereditário, manter a família dele no controle do país. Mas precisa entender que isso aqui é uma democracia. Ele nunca questionou as eleições dele ou do filho dele. Só quando perde é que começa a questionar as urnas”, criticou.

    Apesar do tom duro, Lula disse que os acusados têm direito à defesa e, caso sejam condenados, devem cumprir pena em condições dignas. “Se forem presos, que tenham uma boa cela, respeitando os direitos humanos”, pontuou.