Aladilce argumenta que criação da Secretaria do Mar teria que passar pela Câmara

    Mesmo reconhecendo como uma "iniciativa positiva", vereadora diz que "era preciso ter autorização"

    Foto: Antônio Queirós/CMS

    A vereadora Aladilce Souza (PCdoB), líder da Bancada da Oposição na Câmara Municipal de Salvador (CMS), se mostrou surpresa com a criação da Secretaria do Mar, proposta pela prefeitura sem autorização legislativa. Em sessão ordinária, nesta segunda-feira (10), a edil reconheceu a iniciativa, mas disse que para ter legitimidade o projeto teria que ser discutido e votado na Casa. “É uma reforma, implica em despesas, criação de cargos”, justificou.

    Do primeiro ao quinto mandato que exerce na Câmara, ela tem defendido ações que impulsionem a chamada economia do mar, baseada no “enorme potencial econômico da Baía de Todos-os-Santos”. Aladilce lembrou, inclusive, que a prefeitura já contou com uma coordenação de Apoio à Pesca e Aquicultura, instituída em 2008 a partir de proposição de sua autoria e extinta pelo ex-prefeito ACM Neto.

    E alertou: “Estamos às vésperas de iniciar o processo de revisão do PDDU, um dos maiores desafios que temos pela frente, e não podemos esquecer que foi justamente por meio do Plano Diretor que a prefeitura e seus aliados aqui nesta Casa flexibilizaram os gabaritos para permitir à especulação imobiliária implantar esse paredão que estamos vendo subir em toda a orla. Os casos da Praia do Buracão, Jaguaribe e Stella Maris são emblemáticos dessa verticalização desenfreada que precisa ser estancada. Em vez de espigões, nossa orla pode abrigar eventos náuticos e outras iniciativas que valorizem e preservem toda a zona costeira, com destaque para a Baía de Todos-os-Santos”.

    Sustentável

    Segundo a vereadora, investir no mar de Salvador não significa apenas obras físicas, mas, principalmente, “proteger e gerir de forma sustentável a Baía de Todos-os-Santos e a Orla Atlântica, encaradas como motores de desenvolvimento socioeconômico”.

    Entre as sugestões apresentadas por ela para dinamizar o segmento, a implantação de uma infraestrutura náutica, incentivos ao turismo de base comunitária nas ilhas da baía e medidas de preservação ambiental da costa.

    “A Baía de Todos-os-Santos é um patrimônio estratégico e é fundamental que o poder público invista na área náutica, de forma planejada e sustentável, para aproveitar a vocação natural de Salvador, gerando empregos, promovendo o turismo e valorizando essa identidade marítima”, complementou.

    A líder da Oposição reforçou ainda a necessidade de políticas públicas que integrem o desenvolvimento econômico com a conservação do mar, transformando a Baía de Todos-os-Santos em vetor de progresso para a capital baiana. Segundo Aladilce, todas as intervenções devem ser precedidas dos necessários estudos de impacto antes da implantação.