Haddad reforça compromisso do governo com meta central de gastos

    Para ministro, política fiscal estabelece uma margem de variação, mas objetivo é manter as contas dentro do centro da meta

    Foto: Rovena Rosa/Agencia Brasil

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (24) que o governo manterá o foco no cumprimento da meta central de gastos primários prevista no Orçamento federal. Segundo ele, a política fiscal estabelece uma margem de variação, mas o objetivo é manter as contas dentro do centro da meta.

    A legislação permite um resultado primário neutro, com uma margem de tolerância de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para 2025. Isso significa que o governo pode registrar um saldo fiscal com variação dentro desse intervalo, sem desrespeitar o arcabouço fiscal.

    Haddad destacou que o governo cumpriu a meta fiscal em 2024 e pretende seguir a mesma estratégia neste ano. “Todo mundo dizia que o déficit, antes da tragédia no Rio Grande do Sul, seria de 0,8% do PIB, e depois ficou em 0,1%. Essa diferença de 0,7% equivale a R$ 80 bilhões. Se não estivéssemos mirando o centro da meta, poderíamos ter gasto entre R$ 16 bilhões e R$ 17 bilhões a mais”, afirmou o ministro durante um evento em São Paulo, promovido pelo jornal Valor Econômico.

    O ministro ressaltou que o compromisso com a meta estabelecida pelo arcabouço fiscal permanece. “Vamos continuar perseguindo as metas e confiamos no desenho feito em 2023. Se for necessário ajustar, isso será feito. O erro seria ignorar uma necessidade de mudança”, disse Haddad.

    A decisão de manter o foco no centro da meta pode exigir medidas como bloqueios orçamentários e contingenciamentos, o que pode ter impactos políticos para o governo. Questionado sobre os desafios, Haddad admitiu que o cumprimento da meta não será fácil. “Não posso dizer que é tranquilo, mas vamos perseguir, porque entendemos ser necessário. Tenho o aval do presidente para isso”, concluiu.