Lula adia nomeação de Boulos e avalia impacto político no Congresso

    Aliados afirmam que entrada do deputado no governo é certa, mas presidente aguarda momento estratégico

    Foto: Leandro Paiva

    A entrada do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) no governo Lula (PT) é tratada como uma questão de tempo dentro do Palácio do Planalto, mas o presidente ainda avalia qual o momento político mais apropriado para oficializar a mudança. A informação foi publicada pela coluna Radar, da revista Veja.

    Segundo interlocutores do governo, a ida de Boulos para a Esplanada dos Ministérios, provavelmente na Secretaria-Geral da Presidência, está praticamente selada. A permanência do atual titular da pasta, Márcio Macêdo, não seria um obstáculo. De acordo com essas fontes, há um esforço para realocá-lo em outra função estratégica.

    No entanto, o adiamento da nomeação tem outro pano de fundo: o ambiente instável no Congresso Nacional. Com o avanço das tensões entre Executivo e Legislativo — acentuadas pela recente decisão do governo de elevar o IOF —, Lula prefere evitar que a nomeação do principal nome do PSOL, partido historicamente à esquerda do PT, se torne mais um ponto de atrito com parlamentares da base.

    Embora a resistência da oposição à entrada de Boulos já seja esperada, o Planalto teme que o desconforto também se espalhe entre aliados, especialmente de legendas do centrão que ainda se sentem pouco contempladas na composição do governo.

    A expectativa é de que o anúncio ocorra em um cenário mais favorável, quando o presidente consiga fortalecer a governabilidade e reduzir o ruído com o Congresso.