O governador Jerônimo Rodrigues (PT) afirmou nesta segunda-feira, 14, que se reunirá com o setor produtivo para debater os impactos da taxação de 50% sobre as importações brasileiras para os Estados Unidos (EUA).
“Não só a indústria, mas o comércio, o agronegócio, todos os segmentos. Eu quero ouvir qual o sentimento [deles sobre a tarifa anunciada por Donald Trump]”, disse o petista, durante agenda na FIEB (Federação de Indústrias do Estado da Bahia), em Salvador.
Apesar da declaração, o chefe do Executivo baiano não deu nenhuma previsão de quando o encontro deve ser realizado.
Em discurso, Jerônimo criticou a postura do presidente norte-americano, que considera como prejudicial e desequilibrada perante ao cenário internacional.
“Qual é a impressão de um governo irresponsável que quer ser xerife do mundo? Não combina, nesse momento, tratativas políticas dentro do ambiente do negócio”, afirmou o governador.
O tarifaço imposto pelo chefe da Casa Branca entrará em vigor no dia 1º de agosto, conforme consta na carta encaminhada ao presidente Lula (PT). Após a repercussão negativa do assunto, Trump diz que está à disposição para conversar com o mandatário brasileiro sobre a medida.
Na oportunidade, ele ainda mencionou o “Mensalão”, revelado pela Operação Lava Jato, que atingiu diretamente a área da construção civil do país.
“Última vez que nós vivenciamos isso no mundo, e no Brasil em especial, foi quando o Mensalão resolveu, ao invés de punir aqueles que erram, quando manuseiam o recurso público, resolveu punir o setor privado”.
O governador diz que a forma como foi conduzida a ação resultou na destruição de parte da capacidade produtiva nacional, colocando como exemplo a ponte Salvador-Itaparica, e destaca que não houve punição aos verdadeiros culpados. Na oportunidade, ele ainda mencionou a
“Em qualquer outro estado nacional, quando se fiscaliza os investimentos públicos, se penaliza os errantes, e ele responde, e ele paga. Mas de uma forma inteligente, protege o setor produtivo”, disse Jerônimo.
“Nós poderíamos estar hoje celebrando a nossa ponte Salvador-Itaparica, tão sonhada com uma empresa nacional. Nós tínhamos esse potencial muito forte há 20, 30 anos, com o Mensalão, se utilizou disso, para que as indústrias, principalmente a construção civil, fosse penalizada”, completou.
Mensalão e Petrolão
O mensalão e o petrolão, por sua vez, são dois grandes escândalos de corrupção que reverberam contra os governos petistas, tanto de Lula como o da ex-presidente Dilma Rousseff.
O tema foi usado como trunfo para que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ganhasse força para vencer a corrida para o Palácio do Planalto em 2018.

