Sob risco de ser preso, Bolsonaro recua e desiste de ir à Câmara

    Ex-presidente era esperado por aliados nas comissões de Segurança Pública e Relações Exteriores

    Foto: Pedro Gontijo/Senado Federal

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desistiu de ir à Câmara dos Deputados nesta terça-feira, 22, em meio a possibilidade de ser preso por ter descumprindo as medidas restritivas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

    O ex-mandatário era esperado nas comissões de Segurança Pública e Relações Exteriores do Legislativo, cujos trabalhos foram retomados a contragosto do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). 

    Nos colegiados, os parlamentares buscam aprovar as moções de louvor, apoio e solidariedade ao ex-presidente.

    A reviravolta no caso, contudo, fez com que Bolsonaro recuasse da ideia. Segundo informações do jornal Folha de S.Paulo, o político deve permanecer apenas na sede do PL, em Brasília. 

    Decisão de Moraes

    O ministro Alexandre de Moraes, do STF, deu prazo de 24 horas para que a defesa do ex-presidente preste esclarecimentos sobre vídeos das falas do político durante transmissão de entrevistas nas redes sociais na segunda-feira, 21. 

    A medida surge devido a uma das medidas restritivas aplicadas por Moraes, que determinou a proibição do uso das redes sociais de forma direta ou indireta. 

    Confira todas as medidas restritivas

    Uso de tornozeleira eletrônica;
    Proibição de acessar redes sociais;
    Recolhimento domiciliar de 19 horas às 7 horas todos os dias, incluindo os fins de semana;
    Proibição de se comunicar com embaixadores e diplomatas estrangeiros;
    Proibição de se comunicar com todos os investigados no processo da acusação de golpe de Estado.

    O ex-presidente falou com jornalistas na tarde de segunda-feira na Câmara dos Deputados ao sair de reunião com parlamentares de oposição ao governo Lula (PT).

    “Covardia o que estão fazendo com ex-presidente da República. Vamos enfrentar a tudo e a todos. O que vale para mim é a lei de Deus”, declarou o ex-presidente. “Isso aqui é um símbolo da máxima humilhação”, afirmou, apontando para a tornozeleira.