Ausência de jogador do Bahia já fez Seleção ser vaiada na Fonte Nova; relembre

    Em 1989, arquibancas se voltaram contra o Brasil por ausência de jogador na convocação

    Foto: Divulgação / CBF

    A relação entre a Seleção Brasileira e a Bahia guarda episódios de tensão que atravessam décadas. O caso mais emblemático aconteceu em 1989, quando a Fonte Nova se transformou em palco de protestos contra a equipe nacional. O motivo: a ausência de Charles, ídolo recém-campeão brasileiro pelo Bahia, na lista final da Copa América daquele ano.

    Charles, então com apenas 20 anos, vivia ascensão meteórica. Campeão nacional em 1988, ganhou espaço entre os convocados de Sebastião Lazaroni, marcou gols em amistosos e chegou a disputar seis partidas com a camisa da Seleção.

    Às vésperas da Copa América no Brasil, era visto como um nome em potencial para brigar por vaga no ataque com Careca, Renato Gaúcho e Romário. Mas foi cortado na definição dos 20 nomes finais.

    A revolta na Fonte Nova

    Foto: Divulgação / EC Bahia

     

    A decisão de Lazaroni incendiou Salvador. A Seleção jogaria toda a primeira fase da Copa América na Fonte Nova, e a ausência de Charles foi interpretada como um desprezo ao futebol local.

    Torcedores queimaram ingressos, vaiaram o hino nacional e hostilizaram a equipe em campo. Até o então governador Nilo Coelho se posicionou publicamente contra o corte.

    A recusa em manter Charles na lista alimentou a percepção de que vestir a camisa da Seleção era privilégio reservado a jogadores do eixo Sul-Sudeste.

    A cada atuação pouco convincente do time, a insatisfação aumentava. O corte se tornou símbolo de rejeição à Amarelinha em solo baiano.

    Do passado ao presente

    Mais de 30 anos depois, o episódio volta a ecoar diante da convocação de Carlo Ancelotti para os próximos jogos das Eliminatórias.

    Nenhum jogador do Bahia foi chamado, apesar das expectativas em torno de Jean Lucas, que esteve na pré-lista, e de Luciano Juba, destaque da equipe.

    A ausência mantém um jejum que já ultrapassa duas décadas: o último atleta da dupla Ba-Vi convocado para a Seleção principal foi o meia Dudu Cearense, do Vitória, em 2003.

    Do lado do Esquadrão, o último jogador a vestir a camisa da Amarelinha enquanto defendia o clube foi o meia Luís Henrique, em 1991.