Insatisfação de vereadores com falta de emendas amplia crise com o Executivo

    Relação degringolou e tem prejudicado andamento dos trabalhos na Câmara

    Foto: André Souza / bahia.ba

    A relação entre o Poder Executivo de Salvador e os vereadores de sua base vive um momento de desgaste que, segundo relatos de fontes do bahia.ba, já tornou o clima “insustentável” na Câmara Municipal.

    Na semana passada, duas sessões caíram por falta de quórum. Parlamentares afirmam que as ausências foram combinadas, como forma de protesto contra o Executivo. A principal queixa é de que a prefeitura, em face de um ajuste fiscal, tem travado a liberação de emendas parlamentares desde o início do ano.

    Um vereador próximo ao prefeito Bruno Reis (União Brasil) confirmou a redução do orçamento destinado às emendas, estimadas em R$ 51,6 milhões em 2025. Já outro, do bloco independente, avaliou que a situação chegou ao limite e está insustentável.

    O impasse preocupa especialmente aqueles vereadores que têm pretensões eleitorais em 2026. Eles temem um desgaste junto a líderes comunitários e outros integrantes de suas bases políticas, devido ao não cumprimento de promessas.

    Diante do atrito, o presidente da Câmara, Carlos Muniz (PSDB), tenta conter a insatisfação. Ele convocou para a próxima segunda-feira (1º) uma reunião do Colégio de Líderes para discutir projetos do Executivo e ouvir os vereadores governistas.

    Nos bastidores, a cobrança tem recaído sobre o líder do governo, Kiki Bispo (União Brasil), ausente das sessões desde a semana passada. Nesta terça (26), ele pediu licença de dois dias, mas pela manhã participou da inauguração de uma escola em Paripe, ao lado do prefeito Bruno Reis.

    Questionado sobre a crise na semana passada, o prefeito negou atritos. “Eu tenho com os vereadores uma excelente relação. Vocês [imprensa] viram a quantidade de vereadores que estão comigo diariamente inaugurando obras. Atendo a eles diariamente”, afirmou na última sexta-feira (22).