A dupla Patrick Wilson e Vera Farmiga se despede dos personagens Ed e Lorraine Warren em Invocação do Mal 4: O Último Ritual, mas não da forma que mereciam. Michael Chaves, que também dirigiu o terceiro filme e dois derivados, volta ao comando da franquia iniciada por James Wan, que assinou o primeiro e o segundo capítulos da série iniciada em 2013.
Em 12 anos, a franquia acumulou dez produções: quatro filmes principais, três da boneca Annabelle, duas de A Freira e uma de A Maldição da Chorona. É possivelmente a franquia de terror mais rentável das últimas duas décadas, somando mais de 2 bilhões de dólares em bilheteria, mas o esgotamento de conteúdo é evidente. No longa de 2h15min, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (4), o talento dos protagonistas é o principal trunfo, sustentando um filme morno e pouco envolvente.
O último ritual
Na nova entrada da franquia, os Warren enfrentam mais um caso “aterrorizante”, desta vez envolvendo entidades que desafiam sua experiência. Ed e Lorraine encaram seus maiores medos numa batalha final contra forças malignas. A execução, porém, fica aquém do prometido.
O roteiro de Ian Goldberg, Richard Naing e David Leslie Johnson-McGoldrick transforma a vida do casal, que agora inclui a filha mais velha, Judy Warren (Mia Tomlinson), em algo próximo a uma sitcom norte-americana com pitadas sobrenaturais. A maior parte do longa concentra-se na rotina monótona do trio após a aposentadoria motivada pelos eventos do filme anterior.
Michael Chaves aparenta adotar um estilo funcional ao estúdio, mas não demonstra a personalidade autoral de seu antecessor, James Wan, nem um repertório amplo fora da franquia. A família vítima das forças demoníacas frequentemente parece parte de um elenco de série B, o que ressalta o contraste com o bom desempenho de Farmiga e Wilson.
Respiro final
Ainda assim, há momentos que funcionam. Os minutos finais tornam a experiência menos morna, quando Patrick Wilson e Vera Farmiga mostram o alcance de suas performances.
Chaves demonstra lampejos de criatividade em jogos de câmera em algumas cenas. Por outro lado, o padre Gordon (Steve Coulter), personagem do primeiro filme, tem participação reduzida e pouco aproveitada.
Quando foi lançado, Invocação do Mal renovou o gênero; hoje a franquia opera de forma industrializada, e os protagonistas parecem cumprir compromissos contratuais antigos, num modelo comparável ao do cinema de super-herói. Que estes personagens possam, finalmente, aproveitar a sonhada aposentadoria, longe das telonas.

A história “real”
Ed e Lorraine Warren foram um casal americano conhecido por investigar fenômenos paranormais — assombrações, possessões demoníacas e casos de casas amaldiçoadas. A dupla fundou, em 1952, a Sociedade de Pesquisa Psíquica da Nova Inglaterra (NESPR), e tornou-se famosa por casos como Amityville e a boneca Annabelle.
Ed Warren (1926–2006) foi um demonologista autodidata que baseou seus métodos em experiências pessoais; seu pai era policial. Lorraine Warren (1927–2019) era médium, relatada como capaz de perceber auras e visões espirituais, e assumia papel central nas investigações do casal.
Como seus casos permanecem controversos e sem comprovação científica, muitos os consideram lendas urbanas — ainda assim, têm grande apelo no campo dos mistérios ligados à fé. Entre as narrativas associadas à dupla estão relatos de poltergeists, casas amaldiçoadas e manifestações demoníacas.


