Aladilce sobre fala do prefeito: ‘Não tem argumentos’

    A líder da oposição cobrou transparência na aplicação dos recursos e criticou a falta de diálogo da prefeitura

    Foto: André Souza/bahia.ba

    A líder da oposição na Câmara Municipal de Salvador (CMS), vereadora Aladilce Souza (PCdoB), afirmou nesta quinta-feira (16) que o prefeito Bruno Reis (União Brasil) “não tem argumentos” e, por isso, “procura desqualificar a opinião e o trabalho de outras pessoas”. A declaração foi dada ao bahia.ba.

    A crítica se refere aos projetos de lei (PLs) 175/2024 e 424/2025, de autoria do Executivo municipal. O primeiro propõe alterações na Lei de Uso e Ordenamento do Solo (Louos) e no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU). Já o segundo altera dispositivos das leis nº 9.281/2017 e nº 9.148/2016, permitindo a construção de prédios de até 25 andares na orla marítima de Salvador.

    Na manhã desta quinta, durante o lançamento do Plano Estratégico 2025–2028 da Prefeitura, Bruno Reis classificou as críticas da oposição aos projetos como “fake news”.

    Aladilce rebateu. “A primeira versão do PL 175 tinha no mapa a Via Atlântica, não é fake news. Depois, eles retiraram, mas o original tinha. Se o prefeito quer realmente preservar o parque, deve fazer um decreto delimitando e regulamentando o espaço como Refúgio de Vida Silvestre”, afirmou.

    Sobre o PL 424/2025, tema de audiência pública na CMS nesta manhã, a vereadora classificou a proposta como “um escândalo”. “É um absurdo liberar construções na orla atlântica, permitindo prédios de até 50 andares onde a gestão considerar área deteriorada. Isso vai sombrear a praia, esquentar a cidade e criar um paredão na orla, alterando o PDDU”, criticou.

    A parlamentar também acusou o prefeito de promover “um golpe no PDDU e nas pessoas”, empurrando para a Câmara “pacotes de projetos que alteram toda a cidade”. “Ele está privatizando Salvador, entregando a gestão da cidade à especulação imobiliária e ao empresariado. Ontem mesmo, aprovou a desafetação de mais seis áreas para venda”, afirmou.

    Por fim, Aladilce cobrou transparência na aplicação dos recursos e criticou a falta de diálogo da Prefeitura. “A gente não sabe onde esses recursos serão aplicados. O prefeito deveria abrir o debate público e transparente com a população, porque a cidade não é dele – é de todos que a constroem no dia a dia”, concluiu.