O bicho já pegou. A legalização é questão de tempo

    A hipocrisia política que se encastelou na alma nacional também tem as suas vertentes no campo institucional.

    Veja um caso escancarado: o Estado brasileiro, que tem um largo espectro de jogatina via Caixa Econômica Federal, com as suas muitas loterias, sempre criminalizou o jogo do bicho e por tabela, proíbe outros, como bingos e cassinos.

    Se agisse por princípio, seria jogo zero. Como não é, e aí está a hipocrisia, usa o aparato de estado para aniquilar a concorrência. Essa está com os dias contados para acabar, ou ganhar outra vertente, a era da liberação total.

    As articulações correm em meio ao turbilhão em Brasília por conta das artimanhas de Eduardo Cunha com o impeachment de Dilma. Mas estão andando.

    Semana que vem, a Comissão do Marco Regulatório dos Jogos no Brasil, presidida pelo baiano Elmar Nascimento (DEM), realiza a primeira de uma série de audiências públicas para começar a discutir a legalização dos jogos de azar (ou de sorte).

    Três eixos – Ainda aí permanece uma nesga da velha hipocrisia nacional. Lá estarão representantes de bingos dos EUA, dos cassinos de Las Vegas e também da Áustria, mas no nosso velho jogo do bicho, que hoje é tido como contravenção, fica quase fora.

    Só não fica inteiramente fora porque será representado pelo Instituto Jogo Legal, que estuda a questão dos jogos e defende abertamente a legalização do bicho.

    Elmar diz que a Comissão trabalha em três eixos, ou vertentes:

    1 – Discutir a regulamentação dos tipos de jogos a serem legalizados, como cassinos, on line, casas de bingo, vídeo bingo e obviamente o bicho.

    2 – A forma da liberação, se concessão ou licitação, e como será a tributação.

    3 – A legislação criminal do caso, o que será permitido e o que não será.

    O ponto em discussão no momento é o primeiro, mas Elmar acredita que até março a fatura estará liquidada.

    Ou seja, o projeto estará formatado e pronto para ser votado. Se a polêmica em torno do impeachment de Dilma deixar.

    Mas que será aprovado, é favas contadas. Praticamente, não há reação. A única, ainda que tímida, é da Igreja Católica. Que de resto nunca protestou contra a Mega Sena e similares.

     

    EM TEMPO: no Senado tramita um projeto do senador Ciro Nogueira (PP-PI), relatado por Blairo Maggi (PMDB-MT).

    Ele será votado e depois remetido a Câmara, que irá incorporá-lo a cerca de 30 outros em tramitação.