Frase da vez
“Qualquer deputado pode pedir à mesa da Câmara a abertura de processo de impeachment contra o presidente da República. Dizer que isso é golpe é falta de assunto”
José Dirceu, em 1999, então deputado (hoje condenado na Lava Jato), ao formular um pedido de impeachment contra FHC

Os ex-governistas batem e repetem: Dilma é vítima de um golpe e quem é a favor da saída dela é golpista. Cola? Não.
Talvez tecnicamente eles tenham razão. Largamente praticada por ela e seus digníssimos antecessores, pedalada fiscal nunca foi motivo para governo cair.
Já disse e repito: o que derruba governo, aqui e alhures, é economia. Se vai mal, não tem quem segure. E o dela, do finzinho do primeiro mandato ao início do segundo, desceu a ladeira em disparada.
A oposição de então sentiu-se vítima de um estelionato. Em campanha, Dilma dizia que estava tudo bem. E não estava. Assim que as urnas foram abertas e o resultado proclamado, ela anunciou logo aumento de gasolina e energia. Deu sinais óbvios de que, no governo, ao invés de governar, represou medidas antipáticas para encarar a reeleição.
Isto posto, se o impeachment não é golpe, é um contragolpe. E o julgamento, apesar da longa “lenga lenga” técnica, nada tem de técnico, é político.
Tanto, que Dilma vai hoje ao Senado se defender, mas na real, vai praticar o seu último ato oficial como presidente da República. O placar todos já sabem: vai dar de 60 a 61 votos pelo sim. O mínimo necessário é 54.
Convém lembrar que no episódio não está em jogo as questões éticas tão evocadas, simplesmente porque grande parte dos julgadores não as tem, usam as palavras para embromar.
E o tal discurso das pedaladas só cola porque Dilma também não tem povo. E por isso, ela estará no Senado hoje para se defender, mas também para se despedir.
Pedidos aos montes
Fernando Collor foi o primeiro presidente da história do Brasil a sofrer o impeachment; Dilma o segundo, mas tais pedidos passaram a fazer parte da rotina do Congresso.
Com Fernando Henrique Cardoso, foram 17 pedidos, todos arquivados. Com Lula, 34.
Dilma teve 21pedidos arquivados. O que Eduardo Cunha tocou e colou é apenas mais um de outros 11 que estão lá.
É o tal caso, fogo só pega em palha seca. E a palha estava seca.
Impunidade premiada
Lembra aquela história do juiz Carlos Alessandro Pitágoras Ribeiro, que foi assassinado numa briga de trânsito em frente ao Iguatemi em julho de 2010?
Seis anos depois, o policial Daniel dos Santos Soares, o acusado, nunca foi julgado, mas reapareceu em cena. É candidato a vereador em Salvador pelo PTC, ironicamente, com o nome de Macho. D. Telma Pitágoras, mãe do juiz, está indignadíssima (e cheia de razão):
— Isso é um acinte contra a minha dor e um deboche contra a sociedade.
Pois é. Fichas sujas de lama, temos aos montes na campanha 2016. De sangue, é o primeiro.
No caso em apreço, ainda há um agravante: se a vítima é um juiz e o desdobramento é esse, imagine com os comuns.
Virando a mesa
Com a coligação “Certeza de um novo tempo”, o médico Pitágoras Alves da Silva, o Dr. Pitágoras (PP), se candidatou a prefeito de Candeias com a bandeira da renovação contra a ex-prefeita (duas vezes) e ex-deputada federal Tonha Magalhães (DEM).
Ocorre que ele botou como vice o advogado Mailson Assis (PSB), que lá atrás foi acusado pelo Ministério Público de ter sido um dos principais articuladores da doação feita por uma morta à ex-prefeita Maria Maia.
Resultado: o novo virou o velho. Tonha jamais imaginou que poderia achar ajuda tão robusta. Lá já se fala até em tirar Maílson.
Comendo mosca 1
Deputados oposicionistas na Assembleia estão pressionando Marcelo Nilo (PSL), o presidente, a agir contra o governo por conta de uma série de projetos aprovados, que Rui Costa deveria sancionar ou não, e nada fez. Entre eles está o de Targino Machado (DEM), que proíbe a cobrança de taxa de religação de energia em caso de corte, tido como inconstitucional (deputado não pode legislar, conter ou provocar despesas).
Dizem lá que a PGR comeu mosca.
Comendo mosca 2
No pacote de projetos, o deputado Marquinho Viana (PSD) obriga a colocação de “asfalto ecológico” nas rodovias baianas, outro de Fábio Souto (DEM), obriga o governo a reaproveitar a água nos prédios públicos e, outro, de Adolfo Viana (PSDB), obriga a instalação de um dispositivo nos ônibus interurbanos que emite o aviso: Assalto – polícia 190.
Os deputados querem fazer valer o que foi aprovado.
Boicote ampliado
O boicote dos hotéis de Salvador a Decolar.com, agência de viagem online, está se ampliando. Porto Seguro aderiu e, segundo o presidente da secção baiana da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH–Ba), Glicério Lemos, a tendência é o movimento crescer ainda mais:
— Eles aumentaram o percentual deles de 18 para 22% sem falar nada. E não querem conversa.
Inteligência de contas
Chico Neto, presidente do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), nomeou Valfredo Roque Pereira, da Polícia Federal, para chefiar a Assessoria de Informações Estratégicas.
Com a redução do quadro técnico (só no ano passado, 87 se aposentaram) e a falta de dinheiro para abrir concurso, ele está formando um setor de inteligência com servidores de outras instituições.
Pesquisas Record
Depois de ter divulgado esta semana uma pesquisa de Camaçari, feita pelo Instituto Paraná, a TV Itapoan/Record tem sob encomenda mais três: Salvador, Lauro de Freitas e Dias D’Ávila, segundo o diretor da Record na Bahia, Fábio Trucillo.
A divulgação será em setembro.
Camaçari
A pesquisa de Camaçari caiu como uma bomba. Deu Elinaldo (DEM) com 48,9%, Luiz Caetano (PT) com 28%, Jailce Andrade (PCdoB) com 2% e Francisco Irmão (SD) com 1%.
A oposição está eufórica. Diz que só uma hecatombe mudaria isso.
Aliás, em Camaçari, Caetano brigou com o ex-prefeito Ademar Delgado, ex-afilhado (que colocou Jailce), enquanto Elinaldo e Tude se uniram.
Epigrama do Inclinado
O Plano Inclinado Gonçalves, também conhecido como “charriot”, inaugurado em 1874, enguiçou mais uma vez, logo após ter sido reinaugurado. ACM Neto até tenta botá-lo para funcionar, sem sucesso. Antônio Lins carimbou o caso com o epigrama.
O prefeito é obstinado.
Mas, o bonde só faz onda,
O plano é mal inclinado
Por isso que não funciona.

