Rui Costa sobre fraudes no INSS: ‘Governo não protege ninguém, doa a quem doer’

    Ministro da Casa Civil detalha alinhamento com a Previdência para dar transparência às investigações

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou nesta sexta-feira (19) que o governo federal manterá uma postura de “tolerância zero” em relação às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), estimadas em R$ 6,3 bilhões. Em entrevista, o ministro detalhou a estratégia de comunicação e transparência adotada após a deflagração de novas fases da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal.

    Diferente do que circulava nos bastidores, Rui esclareceu que sua interlocução direta não foi com o comando do INSS, mas sim com o núcleo político da pasta. “Eu não me reuni com o presidente do INSS. Tive uma conversa com o ministro da Previdência, junto com a SECOM, para que ele chamasse uma coletiva e falasse sobre o assunto”, afirmou.

    O objetivo, segundo ele, foi garantir que o governo se antecipasse e deixasse clara a disposição em colaborar com a Justiça. O ministro reforçou a diretriz do presidente Lula (PT). “Isso tem que ser apurado, doa a quem doer, alcance quem alcançar. O governo não protege ninguém”, disse Rui.

    Os beneficiários do INSS sofriam descontos indevidos em suas folhas de pagamento. Rui garantiu que o governo agiu rápido para estancar o sangramento financeiro dos idosos. Segundo o ministro, quase 100% do dinheiro subtraído dos aposentados já foi devolvido.

    “Cada um que fez bobagem vai responder por sua bobagem”, afirmou, ressaltando que o processo seguirá o rito legal com direito à defesa.

    Rui concedeu as declarações durante agenda na manhã desta sexta-feira (19) da primeira viagem teste do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), no Largo da Calçada, em Salvador, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

    Nova fase da operação

    A nova fase Operação Sem Desconto foi autorizada pelo ministro André Mendonça (STF). O senador Weverton Rocha (PDT-MA) foi alvo de busca e apreensão. A PF o aponta como possível liderança política da organização criminosa.

    Adroaldo Portal, então número dois da Previdência Social, foi exonerado e colocado em prisão domiciliar. A investigação também cita repasses suspeitos que mencionam “o filho do rapaz”, levantando questionamentos sobre Fábio Luís Lula da Silva. O presidente Lula já se manifestou publicamente, afirmando que “se tiver filho meu envolvido, será investigado”.

    Fraudes no INSS

    As investigações revelaram que, entre 2019 e 2024, associações de fachada realizavam descontos de mensalidades não autorizadas diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas. O grupo contava com o apoio de servidores do INSS e operadores financeiros para lavar o dinheiro, inclusive com remessas para o exterior, utilizando empresas em Portugal.