Senadores vão recorrer ao STF contra segunda votação no Senado

    Ronaldo Caiado (DEM-GO) acusou o PMDB e o PT de terem realizado um "acordão" para salvar Dilma da inabilitação política

    Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

    Os senadores Ronaldo Caiado (DEM-GO) e José Aníbal (PSDB-SP) admitiram, nesta quarta-feira (31), logo após a decisão do Senado de cassar Dilma Rousseff, que devem entrar com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a segunda votação no plenário, que permitiu à petista ficar habilitada a ocupar qualquer cargo político.

    Com a concordância do presidente do STF Ricardo Lewandowski, que conduziu a sessão, o julgamento foi separado em duas votações. Ela foi cassada por 61 a 20 votos, mas não teve a inabilitação política validada porque não foram atingidos os dois terços no plenário (42 a 36 a favor).

    “Eu, com a prerrogativa de senador, recorrerei ao STF baseado no que está muito claro no Artigo 85 da Constituição. Nossa carta magna não dá esta margem de interpretação ao Senado Federal. Não se pode fatiar aquilo que a Constituição e o Supremo determinaram anteriormente. Para se mudar a Constituição é preciso de uma emenda constitucional que tem todo um rito especial. Não é por destaque de um artigo”, acusou Caiado.

    O democrata ainda acusou o PMDB e o PT de terem realizado um “acordão” para salvar Dilma da inabilitação política por oito anos. “Ficou claro que esta segunda votação foi um grande ‘acordão’ entre o PT e o PMDB. Esta manobra representa o que existe de mais espúrio e negativo na política. Tenho a certeza de que, como se diz no interior, a sociedade está neste momento com ‘a pulga atrás da orelha'”, concluiu.

    Já Aníbal, em entrevista à Globo News, admitiu que o PSDB pode entrar também com recurso na Suprema Corte. “Acho que sim. Muito provável. O curso é ir ao Supremo”, disse.