Dilma cita Maiakóvski: ‘Ameaças e guerras havemos de atravessá-las’

    Ao comentar sua cassação, Dilma Rousseff lê trecho de poema e promete "a mais firme e determinada oposição que um governo golpista pode sofrer"

    Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (31), pouco depois da sua cassação pelo Senado, Dilma Rousseff fez um discurso de enfrentamento ao governo Temer, ao encerrá-lo com a leitura de trecho do poema “E então, que quereis?”, de Vladimir Maikósvki.

    “Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes? O mar da história é agitado. As ameaças e as guerras havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio, cortando-as como uma quilha corta as ondas”, leu a petista, que prometeu “a mais firme e determinada oposição que um governo golpista pode sofrer”. “Não gostaria de estar no lugar dos que se julgam vencedores”, acrescentou.

    Segundo Dilma, seu governo foi derrubado por uma “força conservadora e reacionária”, em um “golpe parlamentar”. “Acabam de derrubar a primeira mulher eleita presidente do Brasil, sem justificativa constitucional para esse impeachment. O golpe não foi só contra mim, o meu partido e aliados. Isso foi apenas o começo. O golpe vai atingir qualquer organização política progressista e democrática”, declarou a petista.

    Dilma ainda acusou os 61 senadores que votaram pelo seu impeachment de “rasgarem a Constituição” e afirmou que os opositores a derrubaram por não “ascenderem ao governo pelo voto direto, como eu e Lula fizemos”.

    “É o segundo golpe de Estado que enfrento na vida. O primeiro, o golpe militar, me atingiu quando eu era uma jovem militante. O segundo, o golpe parlamentar. É uma inequívoca eleição indireta, em que 61 senadores substituem a vontade de 54 milhões de votos. Vamos recorrer em todas as instâncias possíveis”, disse.

    Logo no começo de seu pronunciamento, Dilma pediu silêncio a um grupo que começou a cantar “olê, olê, olá, Lu-la, Lu-la”, assim que o ex-presidente foi citado por ela.