Residência artística ‘Ordem Questionada’ realiza novas oficinas no Comércio

    Projeto voltado à formação de artistas negros promove aulas de atuação, direção teatral e cenografia neste fim de semana

    Foto: Amanda Chung/ Divulgação

     

    A residência artística do projeto Ordem Questionada, idealizada pelo Coletivo Subverso das Artes, segue em plena atividade e realiza, neste fim de semana, mais uma rodada de oficinas. Desta vez, as aulas são de Atuação e Direção Teatral, no sábado (31), e de Cenografia, no domingo (1º), no Arquivo Público de Salvador, no bairro do Comércio.

    Voltada à formação de artistas negros, a iniciativa parte do entendimento de que talento, por si só, não garante espaço no teatro, sendo necessário acesso, aperfeiçoamento técnico e senso de coletividade para transformar vocação em carreira.

    Com oficinas quinzenais em andamento desde novembro de 2025, a iniciativa vem promovendo uma imersão formativa em diferentes linguagens teatrais. Até o fim de janeiro, os participantes estão envolvidos em aulas de Escrita Teatral, Atuação, Direção Teatral e Direção Musical.

    A partir de domingo, 1º de fevereiro, a formação entra em um novo ciclo, que segue até abril, incluindo oficinas de Comunicação Estratégica, Formação de Público, Cenografia e Gestão Teatral. A proposta é ampliar o olhar para os bastidores, a circulação e a viabilidade dos fazeres artísticos.

    Para o coordenador do Coletivo Subverso das Artes, Zaya Olugbala, além do desenvolvimento técnico, a residência oferece um espaço de possibilidades, lazer, descobertas, conexões e criações.

    “O processo tem sido rico e as pessoas têm participado de maneira ativa. Ao longo das oficinas, conseguimos conhecer formas de criar, acompanhar a produção dos colegas e compartilhar as próprias criações. A iniciativa promove a multiplicação de conhecimentos por meio da formação, do contato com diferentes profissionais das artes e com diversos espaços culturais, além de apontar caminhos para tornar os fazeres artísticos viáveis do ponto de vista da execução”, pontua.

    Escuta ativa

    Nas aulas de Direção Musical, o facilitador Maurício Lourenço conduz dinâmicas de regência, criação rítmica, jogos de liderança, improvisação guiada e construção de arranjos a partir da troca, da organização coletiva do som e da leitura sensível do grupo.

    O objetivo é que os participantes compreendam a música como prática colaborativa e desenvolvam responsabilidade, expressão e consciência artística. “Espaços como esse transformam a arte em ferramenta de inclusão, pertencimento, expressão política e construção de novas perspectivas de futuro”, afirma.

    Segundo Maurício, é possível perceber uma evolução significativa na postura, no envolvimento e na confiança dos participantes, que hoje atuam com mais autonomia, escuta e proatividade.

    “Ao chegarem às oficinas, os jovens traziam vivências marcadas por desafios sociais, experiências artísticas informais e o desejo de serem ouvidos, além da expectativa de encontrar na arte um espaço de pertencimento e transformação pessoal e coletiva”, explica.

    A professora de Atuação, Diana Ramos, ressalta a importância de estimular o desejo de continuidade para que a residência não seja uma experiência isolada.

    “Tenho incentivado a autonomia da criação, encorajando os jovens a serem autores de seus próprios trabalhos, tirando projetos da gaveta e não esperando sempre a validação externa. Essa provocação busca desafiá-los a produzir como parte do processo de amadurecimento artístico. É preciso começar de algum lugar, errando e refazendo, até que as vivências se conectem às de outras pessoas”, destaca.

    Resultado do aprendizado

    A próxima etapa do projeto, intitulada Circula e Questiona, será dedicada à criação, ao laboratório e à circulação das peças teatrais resultantes das oficinas. Os espetáculos serão apresentados nos bairros participantes, garantindo a materialização do processo formativo e o compartilhamento das produções nas comunidades de Engenho Velho da Federação, Engenho Velho de Brotas, Nova Brasília, Candeal e Santo Inácio.

    Ao longo de seis meses, a residência Qualificando a Desordem, primeira etapa formativa do projeto Ordem Questionada, pretende consolidar um espaço de troca e construção coletiva, fortalecendo redes entre artistas, educadores e comunidades. O projeto tem duração total de oito meses, incluindo residência, produção e circulação, e reforça a arte como ferramenta de transformação social e afirmação das identidades negras em Salvador.

    O projeto Ordem Questionada foi contemplado nos editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, via PNAB, com recursos direcionados pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.