Margareth Menezes lança temporada de verão e celebra o ‘Afropopbrasileiro’

    Artista falou sobre legado dos 25 anos do álbum, parcerias históricas e o show especial deste sábado (31)

    Foto: Diogo Andrade/ Divulgação

     

    A cantora e ministra da Cultura, Margareth Menezes, divulgou sua agenda de verão nesta sexta-feira (30), durante coletiva no Palacete Tira-Chapéu, no Centro Histórico de Salvador.

    O encontro marcou o lançamento oficial da temporada de Verão 2026 e também a celebração dos 25 anos do álbum Afropopbrasileiro, que será comemorado com um show especial neste sábado (31).

    “É preciso reconhecer a contemporaneidade”

    Questionada pelo bahia.ba sobre a importância de manter acesa a chama do afropop no Brasil, Margareth destacou a necessidade de reconhecer a contemporaneidade e o legado da afro-brasilidade.

    “Para mim, é sobre reconhecer a colaboração de todo esse legado da nossa afro-brasilidade, que está presente não apenas como linguagem musical, mas como uma maneira de ser, de se comportar”, afirmou.

    Segundo a artista, o movimento também funciona como uma nomenclatura que ajuda a situar essa produção dentro do tempo presente.

    “É uma forma de mostrar que estamos todos inseridos nessa contemporaneidade. As influências estão na música, na vivência. Eu não criei um movimento musical. O que fiz foi provocar o questionamento sobre a falta de identidade e de oportunidades, para que a gente pudesse se reconhecer como afropop brasileiro. Hoje existem vários artistas que já se colocam nesse lugar”, completou.

    Conhecida pelo apelido carinhoso de Maga, Margareth ressaltou ainda o caráter universal do movimento. “É algo mundial, internacional, e ao mesmo tempo baiano e brasileiro.”

    Show reúne Gil, Brown e blocos afro

    O show comemorativo acontece a partir das 16h, no Candyall Guetho Square, em Salvador. No palco, Margareth receberá Gilberto Gil, Carlinhos Brown e Nabiyah Be — filha do cantor Jimmy Cliff — além de sete blocos afros: Olodum, Ilê Aiyê, Cortejo Afro, Filhos de Gandhy, Banda Didá, Muzenza e Malê Debalê.

    Para a cantora, o momento é de celebração e reverência. “Foi uma alegria enorme. Confesso que fiquei até com medo de fazer esse convite a Gil, pelo momento que ele vive, mas fiquei feliz demais por ele ter aceitado. Feliz com Brown, feliz com os blocos afro. Na verdade, sou eu que estou fazendo uma homenagem a eles. Cada um vai cantar uma música”, disse.

    Margareth destacou a importância de reconhecer os artistas que pavimentaram sua trajetória. “Gil, para mim, é um presente enorme. Assim como Caetano e toda essa geração que veio antes da gente, que precisa ser reverenciada, agradecida e reconhecida pelas contribuições que deram à nossa carreira, à nossa música e à música popular brasileira.”

    Entre o palco e a gestão pública

    Ao comentar a conciliação entre a atuação artística e o cargo de ministra da Cultura, Margareth foi enfática ao afirmar que seguir nos palcos é um direito construído ao longo de quatro décadas de carreira.

    “É um direito conquistado com muito sangue e suor no dia a dia. Então, quando você está no cargo, você não perde a sua profissão. Existem regras que precisam ser obedecidas, regras que já existem, e o Conselho de Ética está aí para isso”, explicou a ministra.

    Além do cargo de gestora cultural do país, ela é também uma das cantoras mais importantes do Brasil e destaca como é significativo dar continuidade a esse trabalho, construindo um legado que abrace as duas frentes.

    “A gente se posiciona, mostra como as coisas são e se coloca. Às vezes tem gente que gosta, às vezes não gosta, mas isso faz parte da minha caminhada. É isso que eu sei fazer, é isso que eu pratico há 40 anos, do mesmo jeito, sem estar na zona de conforto”, concluiu.