Caixa Cultural apresenta a exposição ‘Hoje É De Vez Em Quando’, de Fábio Baroli

    Mostra reúne 35 obras e propõe um questionamento sobre a noção de tempo no mundo contemporâneo

    Obra: Genesis / Fábio Baroli

    A CAIXA Cultural Salvador apresenta, de 05 de março a 10 de maio, a exposição “Hoje é de vez em quando”, do artista mineiro Fábio Baroli. A mostra, com a curadoria de Agnaldo Farias, reúne 35 obras, entre pinturas e instalações, que tensionam a noção de tempo, instigando o público a refletir sobre a sua percepção no mundo contemporâneo. O projeto tem patrocínio da CAIXA e do Governo Federal, com entrada gratuita.

    O espaço oferece ao visitante uma imersão para desaceleração do olhar. Ao longo da exposição, o tempo deixa de ser linear e passa a ser percebido como construção, atravessado por memórias, afetos e modos de vida que correm o risco de desaparecer se não forem observados com atenção.

    Essa reflexão se revela em obras como “Véia Dica”, que nasce de uma relação direta com a memória afetiva de uma ente querida do artista, que era benzedeira, fazia colchas de fuxico e carregava saberes que não passam pelos livros, mas são transmitidos por gerações.

    Véia Dica_óleo sobre tela_60x48cm_2012.jpg
    Obra: Genesis / Fábio Baroli

    A mostra também se insere no debate sobre os desafios da prática artística na contemporaneidade. Para Baroli, retratar a vida interiorana em boa parte das suas obras é como um gesto de resistência. “Abordar a vida no campo não é um exercício de nostalgia, mas uma forma de lembrar que existem outros ritmos possíveis, outras maneiras de organizar a vida e o trabalho. Esses saberes exigem tempo, repetição e convivência, exatamente o que o mundo contemporâneo tenta descartar. Insistir neles é afirmar que nem tudo pode ou deve ser substituído, ou aniquilado”, avalia o artista.

    Após a temporada na capital baiana, a exposição será exibida nas unidades da CAIXA Cultural de Fortaleza e São Paulo.

    Sobre o artista:

    Nascido em Uberaba (MG), Fábio Baroli é um artista visual cuja obra é fortemente influenciada pela memória da infância no interior e pelas transformações sociais e urbanas do Cerrado. Formado em Artes Visuais pela Universidade de Brasília (UnB), desenvolveu no Rio de Janeiro uma produção centrada na memória pessoal como forma de refletir sobre o presente e o futuro.

    Sua obra articula pintura e instalação, com técnica refinada, paleta sóbria e referências a mestres como Manet e Velázquez, incorporando colagem e fragmentação para criticar os impactos do mundo contemporâneo. O artista volta-se para um Brasil cotidiano e pouco visível, marcado por modos de vida ameaçados, saberes populares e comunidades tradicionais.