Exposição em Salvador propõe novo olhar sobre o autismo na vida adulta

    Projeto ‘Desconstruções’ promove debate sobre estigmas e representatividade

    Foto: Reprodução/Redes Sociais @tea.desconstrucoes

    O projeto ‘Desconstruções’ propõe um olhar ampliado sobre o autismo a partir da fotografia, reunindo relatos e experiências de pessoas adultas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A iniciativa foi idealizada pela artista visual Ludmilla Sena, que também é autista nível 1 de suporte, e parte de uma perspectiva pessoal para abordar vivências ainda pouco discutidas.

    A ação acontece em Salvador, entre os dias 1º e 24 de abril, na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, no bairro dos Barris. A proposta reúne registros fotográficos e audiovisuais de 10 participantes adultos com TEA, nos níveis 1 e 2 de suporte. O material será apresentado em uma exposição acessível ao público e também dará origem a um fotolivro digital gratuito, que inclui textos produzidos pelos próprios participantes.

    Segundo Ludmilla, o ponto de partida do projeto está diretamente ligado à sua própria trajetória e ao diagnóstico tardio de autismo, recebido em 2022, aos 33 anos. “O Projeto ‘Desconstruções’ surgiu a partir da minha vivência pessoal, como pessoa autista diagnosticada tardiamente, em 2022, quando na época tinha 33 anos. Sendo uma artista visual, ao ter essa descoberta, surgiu em mim a necessidade de usar a arte como meio de reflexão sobre como cada pessoa com TEA se relaciona consigo mesma e com o mundo”, disse.

    A artista também destaca que a proposta vai além da experiência individual e busca provocar uma mudança na forma como o autismo é enxergado socialmente. “A ideia do projeto consiste em utilizar a linguagem artística da fotografia para desconstruir a imagem que a sociedade em geral tem das pessoas com TEA, em especial das que já atingiram a fase adulta da vida e necessitam de menor nível de suporte, trazendo conhecimento, visibilidade, trocas e diálogos com o objetivo de desconstruir visões preconceituosas e estereotipadas sobre o transtorno e seus portadores”, completou.

    A proposta busca ampliar o debate sobre o autismo na vida adulta, especialmente em relação às pessoas que não se enquadram nos estereótipos mais conhecidos do espectro. Além da exposição e do fotolivro, o projeto também promove um espaço de diálogo com o público.

    No dia 11 de abril, às 9h, será realizada uma roda de conversa aberta, com a participação da idealizadora e de alguns dos voluntários retratados. A atividade também acontece na Biblioteca Pública e pretende discutir as experiências apresentadas no projeto.

    A iniciativa começou a ser desenvolvida em 2025 e foi concluída em abril de 2026, resultando na produção dos retratos e no material final. O projeto foi contemplado pelo edital Lia da Silveira, da Política Nacional Aldir Blanc na Bahia, com apoio do Governo do Estado e recursos do Ministério da Cultura.