Publicado em 14/04/2026 às 09h57.

CNI envia carta ao Congresso contra fim da escala 6×1

Documento é assinado pelo presidente da entidade, o baiano Ricardo Alban 

Raquel Franco
Foto: assessoria/Fieb

 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) iniciou, nesta terça-feira (14), uma ofensiva institucional no Congresso Nacional para conter o avanço da proposta que reduz a jornada de trabalho e extingue a escala 6×1. O presidente da entidade, o baiano Ricardo Alban, assina cartas nominais enviadas aos 513 deputados federais e 81 senadores, solicitando a ampliação do debate e cautela na votação da matéria em ano eleitoral.

O posicionamento é acompanhado por um manifesto assinado por mais de 800 instituições do setor produtivo, incluindo as 27 federações estaduais e centenas de sindicatos industriais. O setor argumenta que a mudança na Constituição, atualmente em discussão na Câmara, pode comprometer a competitividade do país e a produtividade das empresas.

Segundo cálculos apresentados pela CNI, a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais pode gerar um incremento de R$ 267 bilhões nos custos salariais globais. Desse total, cerca de R$ 88 bilhões recairiam diretamente sobre a indústria.

A entidade alerta ainda para o repasse desses custos ao consumidor final. “Os preços para o consumidor tendem a ter alta média de 6,2% –as compras em supermercado, por exemplo, devem ficar 5,7% mais caras”, diz a carta. Setores que utilizam mão de obra de forma intensiva, como a indústria têxtil e de panificação, seriam os mais atingidos.

O movimento da CNI ocorre no momento em que o Governo Federal sinaliza a intenção de enviar um projeto de lei próprio sobre o tema, sob regime de urgência, para acelerar a tramitação no Legislativo.

“A indústria brasileira reconhece a importância do aperfeiçoamento das relações de trabalho, mas entende que mudanças dessa dimensão não devem ser feitas sem análise técnica consistente, transição adequada e vínculo com ganhos reais de produtividade. Sem isso, a tendência é de aumento de custos, pressão sobre preços, desestímulo a investimentos e ampliação da informalidade”, diz o documento.

A CNI finaliza pedindo que o cuidado na discussão do tema seja ainda maior no ano eleitoral. “Temas de forte apelo social exigem responsabilidade, avaliação de impactos e visão de longo prazo, para evitar decisões precipitadas e efeitos negativos sobre a economia”, afirma trecho do documento enviado aos parlamentares.

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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