Senado aprova lei do cacau com protagonismo de parlamentares baianos
Texto relatado por Angelo Coronel (Republicanos-BA) fixa teor mínimo de cacau nos chocolates

O Senado aprovou, nesta quarta-feira (15), em regime de urgência, projeto de lei que estabelece percentuais mínimos de cacau em produtos como chocolates e cacau em pó (PL 1.769/2019). Aprovada em votação simbólica, a matéria será encaminhada à sanção presidencial.
A proposta estabelece parâmetros, definições e características a serem observados na produção de derivados de cacau; determina o percentual mínimo de cacau nos chocolates; e exige que os rótulos desses produtos, tanto nacionais quanto importados, embalagens e peças publicitárias informem o percentual total de cacau.
O texto aprovado pelos senadores é uma versão alternativa apresentada pelo deputado Daniel Almeida (PcdoB-BA) ao projeto de lei original. O Senado já havia aprovado o texto original, de autoria do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA). Como houve mudanças na Câmara dos Deputados, a proposta voltou para apreciação do Plenário, sob a relatoria do senador Angelo Coronel (Republicanos-BA).
Respeito aos produtores
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ressaltou que o projeto foi incluído na pauta de votações a partir de preocupações manifestadas pelos senadores Angelo Coronel (Republicanos-BA) e Jaques Wagner (PT-BA).
Durante a discussão da matéria, Coronel defendeu o projeto e cobrou respeito aos produtores de cacau. Ele avaliou que o texto fortalece a agricultura familiar e empresarial, gera empregos no campo e reduz a dependência de importações.
“Os produtores têm sofrido com os preços. O governo não faz previsão de safra e libera importação de cacau da África, que não tem controle fitossanitário. A gente tem que ter sempre a previsão de safra para que, com essa previsão, possa aferir se realmente precisaremos importar ou não, porque nós temos que valorizar o produtor nacional, especialmente da agricultura familiar”, afirmou Coronel.
Wagner disse que o projeto socorrerá a lavoura, principalmente na Bahia, o maior produtor, e no Pará. O senador Jaime Bagattoli (PL-RO) ressaltou que o projeto vai trazer mais segurança para o pequeno produtor rural.
Veja novos percentuais
O projeto distingue a massa, pasta ou licor de cacau — produto obtido com a moagem das amêndoas de cacau torradas — da manteiga de cacau, que é a fração de gordura extraída dessa massa, e dos “sólidos totais de cacau”, a soma da manteiga de cacau, da massa de cacau e do cacau em pó.
A Câmara retirou do texto do Senado a terminologia “amargo ou meio amargo”, no trecho que exige um mínimo de 35% de sólidos totais. Foi mantida, porém, a exigência de que um mínimo de 18% seja de manteiga de cacau e 14% sejam isentos de gordura. Incluiu-se ainda um limite de 5% para outras gorduras vegetais autorizadas.
O projeto apresenta ainda as seguintes definições:
– Cacau em pó: mínimo de 10% de manteiga de cacau, em relação à matéria seca, e, no máximo, 9% de umidade;
– Cacau solúvel: produto obtido do cacau em pó adicionado de ingredientes para solubilidade;
– Chocolate em pó: mínimo de 32% de sólidos totais de cacau;
– Chocolate ao leite: no mínimo 25% de sólidos totais de cacau e 14% de sólidos totais de leite ou derivados;
– Chocolate branco: no mínimo 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos totais de leite;
– Achocolatado, chocolate fantasia, chocolate composto, cobertura sabor chocolate ou cobertura sabor chocolate branco: mínimo de 15% de sólidos de cacau ou 15% de manteiga de cacau.
De acordo com emenda do relator, não integram os sólidos totais de cacau as cascas, películas ou quaisquer outros subprodutos da amêndoa.
A definição dos critérios técnicos para indicação do percentual de cacau será disciplinada por ato do Poder Executivo, dentro dos limites e requisitos fixados na lei. As empresas que descumprirem as normas estarão sujeitas às sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor e na legislação sanitária. As regras entrarão em vigor 360 dias depois da publicação da lei.
Consumo
Dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) indicam que o Brasil é o sexto maior produtor de cacau do mundo. Bahiae Pará respondem por mais de 90% da produção brasileira.
A presença do chocolate nos lares brasileiros passou de 85,5%, em 2020, para 92,9%, em 2024. Cada cidadão consome, em média, 3,9 quilos de chocolate por ano, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), apresentados no relatório de Coronel.
Fonte: Agência Senado
Mais notícias
-
Política10h17 de 16/04/2026
Mais de 800 hotéis da Bahia precisam aderir ao registro digital de hóspedes; saiba como
Nova ficha do Ministério do Turismo passa a ser obrigatória em 5 dias
-
Política09h38 de 16/04/2026
Robinson rebate críticas de ACM Neto e defende governos do PT na Bahia
Robinson Almeida defende políticas públicas e aponta redução de desigualdades no estado
-
Política09h15 de 16/04/2026
Jerônimo determina rigor em investigação sobre morte de policiais em Salvador
Governador manifestou solidariedade e cobrou celeridade na apuração dos casos
-
Política09h09 de 16/04/2026
Ex-deputado Alexandre Ramagem deixa prisão nos EUA
Ainda não há detalhes sobre a soltura
-
Política08h44 de 16/04/2026
FHC é interditado pela Justiça após piora no estado de saúde
Com Alzheimer avançado, ex-presidente terá filho responsável por decisões legais e financeiras
-
Política08h14 de 16/04/2026
Secretário de Jerônimo é indicado para receber Comenda 2 de Julho
Deputado destaca protagonismo de Adolpho Loyola na articulação política e diálogo institucional
-
Política08h12 de 16/04/2026
Rui diz que ACM Neto ‘se borra’ de medo de debate: ‘Pode vir com fralda’
O petista repercutiu uma fala de Neto, que afirmou não querer debate com ele
-
Política06h44 de 16/04/2026
Secretário Felipe Freitas lamenta morte de policiais e defende valorização da categoria
Secretário destaca redução de 22% na violência e recomenda foco em inteligência
-
Política21h21 de 15/04/2026
Prefeito anuncia concursos para Guarda Municipal e educação em Salvador
A seleção será de responsabilidade da FGV e prevê reforço no quadro de servidores









