Hilton Coelho descarta apoiar PT no 1º turno e critica ‘matança nas periferias’

    Deputado afirma que o PSOL terá candidatura própria para apresentar um modelo de segurança que 'prenda os ricos' e não apenas os pobres

    Foto: Luana Neiva / bahia.ba

    O deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) reafirmou, em conversa com o bahia.ba nesta quinta-feira (7), que o seu partido manterá a independência e a candidatura própria no primeiro turno das eleições para o Governo da Bahia.

    Apesar de reconhecer a liderança de ACM Neto (União Brasil) nas pesquisas e a necessidade de derrotar a extrema-direita no plano nacional, Hilton destacou que as divergências programáticas com o governo de Jerônimo Rodrigues (PT), especialmente na segurança pública e na área ambiental, impedem uma coligação imediata.

    “Seria muito artificial pensar numa intervenção conjunta nesse primeiro turno, porque o PSOL tem posições muito bem definidas”, explicou o parlamentar.

    Hilton pontuou que a Bahia vive um cenário crítico que não pode ser ignorado por conveniência eleitoral. “A Bahia teve praticamente duas vezes mais mortes em ações policiais que o segundo lugar, que é o estado de São Paulo. Isso não é uma questão menor”, disparou.

    Segurança pública

    O ponto mais contundente da fala de Hilton Coelho foi a crítica ao atual modelo de segurança pública implementado pelo governo petista. Para o parlamentar, a estratégia de investimento em polícia ostensiva é ineficaz para desarticular o crime organizado, que, segundo ele, é gerido por figuras poderosas que raramente são alvos de operações.

    “O PSOL entende que é preciso outro modelo de segurança, que invista na perspectiva de prender os ricos ao invés de criar esse espetáculo da matança dos pobres. São os ricos que organizam o crime, e eles precisam ser presos por investigações”, defendeu.

    Hilton, que é morador de Itacaranha, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, afirmou que o governo carece de “autorização política” para que a Polícia Civil atue no centro financeiro do crime. “Não vamos nos comportar com a matança do nosso povo negro nas periferias”.

    Críticas à educação e às política voltadas ao meio ambiente

    Além da segurança, Hilton listou outros gargalos que, na sua visão, justificam a existência de uma alternativa à esquerda do PT. Ele citou os índices negativos da educação baiana, a “privatização da saúde” e a falta de um modelo de desenvolvimento regional sustentável.

    “O problema ambiental é gravíssimo, a situação da educação tem índices muito ruins. Tudo isso está no programa do PSOL. Nós precisamos falar isso para a sociedade e acumular força”, argumentou o deputado.

    Segundo turno e o “retrocesso” de ACM Neto

    Apesar do tom crítico ao governo Jerônimo, Hilton Coelho foi taxativo ao avaliar a possibilidade de uma vitória de ACM Neto. Para o deputado, a candidatura do ex-prefeito de Salvador representa um “retrocesso” que a militância do PSOL não está disposta a aceitar.

    “No segundo turno, nós vamos dizer quais serão os caminhos. A militância do PSOL tem isso muito nítido na cabeça: nós não vamos permitir, não vamos contribuir para que a Bahia ande para trás. A candidatura de ACM Neto representa um retrocesso”, concluiu.

     

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