Margareth defende cultura popular como ferramenta climática

    Ministra destacou povos tradicionais e geração de renda durante evento no ES

    Tomaz Silva/Agência Brasil

    A ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que os saberes tradicionais e populares têm papel fundamental na preservação ambiental e no enfrentamento da crise climática. A declaração foi dada durante a 6ª edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura, realizada em Aracruz, no Espírito Santo.

    O encontro, que segue até este domingo (24), reuniu representantes de povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas e periféricas para discutir temas ligados à justiça climática, cultura e preservação da biodiversidade.

    Durante entrevista à Agência Brasil, a ministra destacou que práticas culturais ancestrais guardam memórias importantes sobre convivência sustentável com a natureza.

    “Já existem exemplos demais de como destruir a natureza, mas existem muitas memórias também de como preservar”, afirmou.

    Segundo Margareth, manifestações culturais de povos originários, de terreiro e comunidades tradicionais ajudam a fortalecer a relação entre sociedade e meio ambiente.

    Cultura como ferramenta de transformação

    Ao comentar o papel da cultura diante das mudanças climáticas, a ministra defendeu que a arte pode provocar mudanças de comportamento na sociedade.

    “A cultura é uma grande ferramenta para isso e existem exemplos dentro das práticas culturais, especialmente desses povos, de como conviver com a natureza”, declarou.

    Margareth também ressaltou que o investimento em cultura popular pode gerar transformação social, qualificação profissional e emancipação econômica.

    “Quem faz a cultura é o ser humano. É um investimento que tem uma potência de mudança, de qualificar, também de emancipar, com mais geração de emprego e renda”, disse.

    Evento debate culturas indígenas e tradicionais

    A edição deste ano da Teia Nacional dos Pontos de Cultura teve como foco principal os debates sobre culturas tradicionais e justiça climática.

    Entre as atividades promovidas no evento esteve o primeiro encontro para construção do Plano Nacional das Culturas Indígenas, além da assinatura de atos voltados para mestres e mestras da cultura popular.

    De acordo com a ministra, o plano será desenvolvido a partir de escuta e diálogo com os povos originários.

    “A cultura indígena são culturas. Há 300 línguas que ainda estão preservadas. Para chegar a isso, é uma grande construção”, afirmou.

    Ministra destaca crescimento dos Pontos de Cultura

    Margareth Menezes também falou sobre a expansão dos Pontos de Cultura no país desde o retorno do Ministério da Cultura.

    Segundo ela, o número de iniciativas cadastradas saltou de 4 mil para 16 mil durante a atual gestão federal.

    A ministra ainda destacou o alcance internacional do programa Cultura Viva, que completa 22 anos em 2026.

    “Eu estive na China no mês passado e ali se inaugurou o primeiro ponto de cultura brasileiro da Ásia, em Xangai”, contou.

    Para Margareth, a ampliação das políticas culturais tem fortalecido setores criativos em praticamente todo o país, impulsionando produção cultural, economia criativa e geração de renda.

     

    *As informações são da Agência Brasil