CEO da AtlasIntel avalia cenário mais apertado nas eleições da Bahia

    Andrei afirma que vê perda de força em discursos antigos do Bolsonarismo após escândalo

    Foto: Gabriela Encinas/Bahia.ba

    O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, participou do evento “Diálogos que Transformam” da Associação Comercial da Bahia (ACB), realizado na noite desta segunda-feira (1º), em Salvador, e comentou o atual cenário político nacional e baiano. Durante a participação, Roman destacou o crescimento da empresa no setor de pesquisas eleitorais e atribuiu parte desse avanço ao uso das ferramentas digitais.

    Segundo ele, a adaptação às mudanças de comportamento do eleitor, que hoje evita atender ligações telefônicas ou ser interrompido na rua para responder pesquisas, tornou o formato online um diferencial relevante. Ao analisar o cenário político nacional, Andrei afirmou que o movimento antipetista perdeu parte da força observada no ano em que Jair Bolsonaro (PL) foi eleito presidente. E avaliou que um novo ciclo do “fora Lula” dificilmente deve ganhar o mesmo fôlego.

    “Eu diria que realmente existia um grande desejo dentro de uma parcela expressiva da população brasileira de punir o Lula. Era uma situação percebida com uma decadência moral, existia um eleitorado antipetista já muito enraizado e esse eleitorado foi atiçado pelos escândalos de corrupção”, disse Andrei.

    O CEO da AtlasIntel também comentou o impacto do cenário político da direita nas pesquisas e afirmou que fatores, como o escândalo envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, influenciam a percepção do eleitorado.

    “Me parece que diminuiu um pouco a temperatura, o entusiasmo em relação a esse projeto dentro do próprio campo da direita. E agora, finalmente, temos um grande escândalo de corrupção que afeta o próprio Flávio. Então é difícil manter o fôlego de um projeto anti-corrupção quando o principal exponente desse projeto, ele mesmo, é envolvido numa situação bastante pessoal com o operador da maior fraude bancária no Brasil nos últimos tantos anos. Talvez o maior escândalo bancário da história do país”, explicou.

    Ao falar sobre a Bahia, Andrei Roman avaliou que a disputa eleitoral deve ocorrer de maneira mais equilibrada do que em eleições anteriores. quando o apoio do presidente Lula (PT) foi essencial. Para ele, a polarização política tende a desgastar diferentes grupos e que será decidido no detalhe.

    “Vai ser um detalhe na Bahia porque o que a polarização faz, na medida em que ela avança, é que ela acaba, de certa forma, ferindo todo mundo. Provavelmente o Lula não vai conseguir repetir o desempenho tão forte que ele teve na eleição passada na Bahia”, declarou. Ainda assim, o especialista ponderou que uma eventual queda de desempenho do presidente não representa automaticamente vantagem para ACM Neto, já que a polarização não funciona assim.