Relembre o ‘Jogo da Paz’, encontro que criou laços entre Brasil e Haiti

    Amistoso em 2004 levou a Seleção com Ronaldo e Ronaldinho ao país em uma partida marcada por futebol, emoção e uma missão humanitária

    Foto: Divulgação/Fifa

    Antes de entrarem em campo pela segunda rodada da Copa do Mundo de 2026, Brasil e Haiti carregam uma história que vai muito além da rivalidade esportiva. O confronto desta sexta-feira (19), em Filadélfia, marca o reencontro de duas seleções que construíram uma relação de carinho há mais de duas décadas, no chamado “Jogo da Paz”.

    Disputado em 18 de agosto de 2004, em Porto Príncipe, o amistoso aconteceu em um período delicado da história haitiana. O país enfrentava conflitos internos e a presença da Missão de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), liderada pelo Brasil, buscava auxiliar na estabilização da região.

    Como símbolo dessa aproximação, a Seleção Brasileira viajou ao Haiti com nomes que haviam conquistado o pentacampeonato mundial dois anos antes. Ronaldo, Ronaldinho, Roberto Carlos, Roque Júnior, Gilberto Silva e outros craques fizeram parte da equipe comandada por Carlos Alberto Parreira.

    Dentro de campo, o Brasil venceu por 6 a 0, mas o resultado ficou em segundo plano diante da atmosfera criada pela presença dos jogadores brasileiros. Cerca de 15 mil pessoas acompanharam a partida no estádio Sylvio Cator, enquanto milhares de haitianos foram às ruas para receber a delegação.

    Foto: Divulgação/Fifa

     

    A chegada da Seleção ao país se tornou uma das imagens mais marcantes daquele período. Os jogadores foram transportados em veículos blindados do Exército brasileiro pelas ruas de Porto Príncipe e receberam uma recepção histórica da população local. “Era um povo de muito sofrimento, mas transbordando em felicidade de estar lado a lado daquela Seleção”, contou o ex-meia Roger, que vestiu a camisa 10 naquele amistoso.

    O atacante do Haiti, Frantzdy Pierrot, titular da equipe nesta Copa de 2026, relembrou a importância daquele momento para a relação entre os dois países. Segundo ele, a visita da Seleção Brasileira criou uma conexão que permanece até hoje entre os haitianos e o futebol brasileiro. “Eu sei que foi um grande momento para o país, porque eles nunca tinham visto nenhum daqueles jogadores de perto. O fato de eles terem ido ao Haiti significou muito para o país”, afirmou.

    Pierrot em campo pela seleção haitiana. Foto: Divulgação/Fifa

     

    Pierrot também destacou que muitos haitianos cresceram admirando jogadores brasileiros e que a Seleção passou a ser vista com carinho pela população. “As pessoas do Haiti respiram futebol e se identificam muito com os brasileiros. Eles gostam de futebol, adoram dançar e gostam de muitos jogadores brasileiros. Ronaldinho era um daqueles que faziam as pessoas muito felizes”, disse o atacante.

    Para o jogador, a relação construída naquele período ainda se reflete no momento atual da seleção haitiana. “Eu sinto que essa conexão existe por causa da felicidade que a Seleção Brasileira trouxe para nós. E agora nós estamos fazendo a mesma coisa como seleção do Haiti, quando as pessoas nos veem na rua, quando nos assistem jogar, dá para perceber que elas estão felizes”, completou.

    A partida de 2004 também teve um caráter simbólico: parte dos ingressos foi trocada pelo recolhimento de armas, como forma de incentivar o desarmamento no país. Pela importância social do evento, a CBF recebeu o Prêmio Fair Play da FIFA naquele ano.

    Agora, 22 anos depois, Brasil e Haiti voltam a se enfrentar em um palco mundial. Se naquela época a Seleção Brasileira levou alegria ao povo haitiano, desta vez as duas equipes entram em campo buscando pontos importantes na Copa do Mundo de 2026. A bola rola entre as seleções às 21h30 (horário de Brasília), no estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia, nos Estados Unidos.