Favorito de Muniz, Ricardo Almeida entra no radar da sucessão na Câmara
Embora a disputa ainda esteja distante do calendário oficial, vereadores já articulam apoios

A pouco mais de alguns meses da eleição para a presidência da Câmara Municipal de Salvador, a sucessão do atual presidente, Carlos Muniz (PSDB), começa a movimentar os bastidores da política soteropolitana. Embora a disputa ainda esteja distante do calendário oficial, vereadores já articulam apoios de forma reservada, enquanto evitam tratar publicamente do tema.
Nos corredores da Casa, o nome que desponta como favorito de Muniz é o do vereador Ricardo Almeida (DC). A avaliação de parlamentares ouvidos pelo bahia.ba é de que o tucano tem ampliado o espaço político concedido ao aliado, que passou a representá-lo em eventos institucionais e ganhou protagonismo na agenda oficial da Câmara nas últimas semanas.
No cortejo do 2 de Julho, por exemplo, Almeida representou a presidência da Casa durante a cerimônia de hasteamento das bandeiras e deposição de coroas de flores no Campo Grande. Nesta terça-feira (7), voltou a assumir o papel ao participar da assinatura da parceria entre a Câmara e o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) para a realização da exposição “Floresta da Urna Eletrônica – 30 Anos de Democracia Digital”.
Do ponto de vista institucional, a presença recorrente de Ricardo Almeida na representação da presidência da Câmara também decorre da atual dinâmica de funcionamento da Mesa Diretora. O primeiro vice-presidente, Maurício Trindade (PP), tem dividido a agenda entre compromissos externos e atividades parlamentares; o segundo vice-presidente, Duda Sanches (União Brasil), está dedicado à campanha eleitoral; e o primeiro-secretário, Claudio Tinoco (União Brasil), integra a coordenação da campanha de ACM Neto ao Governo da Bahia.
Além da presença frequente em compromissos oficiais, vereadores apontam a proximidade diária entre Ricardo Almeida e Carlos Muniz durante as sessões plenárias como outro indicativo de que o democrata é o nome preferido do atual presidente para sucedê-lo.
Corrida pela presidência está longe de ser definida
Antes mesmo do recesso parlamentar, o favorito nos bastidores era o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Alexandre Aleluia (Novo). Segundo informações obtidos pelo bahia.ba, o vereador ganhou força após o ex-prefeito ACM Neto costurar um acordo político com o ex-deputado José Carlos Aleluia durante a pré-campanha ao Governo da Bahia. A expectativa entre aliados era de que esse movimento resultasse em apoio ao nome de Alexandre para comandar o Legislativo municipal.
Outro nome considerado competitivo é o do líder do governo, Kiki Bispo (União Brasil). Próximo do prefeito Bruno Reis (União Brasil), ele foi escolhido para liderar a bancada governista e mantém boa interlocução tanto com vereadores da base quanto da oposição, atributo visto como decisivo em uma eleição definida pelo voto dos próprios parlamentares.
Também corre por fora o primeiro-secretário Claudio Tinoco (União Brasil). Integrantes da Câmara avaliam que seu desempenho na disputa interna poderá depender diretamente do cenário estadual. Caso ACM Neto vença a eleição para o Palácio de Ondina, aliados acreditam que Tinoco tende a ganhar musculatura política, impulsionado pela proximidade com o ex-prefeito e pelo histórico de passagens por áreas estratégicas da administração municipal e estadual, como Cultura, Turismo, Educação e Infraestrutura.
A sucessão, no entanto, está diretamente ligada ao resultado das eleições estaduais. Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que uma eventual vitória de ACM Neto alteraria completamente o tabuleiro político da Câmara. Nesse cenário, a candidatura de Ricardo Almeida perderia força, enquanto nomes ligados ao grupo político do ex-prefeito passariam a ocupar posição privilegiada na disputa.
Além da influência externa, Muniz terá outro desafio caso decida bancar o aliado: construir uma maioria entre vereadores da base e até da oposição. A presidência da Câmara costuma ser definida por acordos amplos e negociações que envolvem diferentes grupos políticos, o que reduz o peso de um único padrinho político.
Por enquanto, os movimentos seguem discretos. Os possíveis candidatos evitam assumir publicamente o interesse pelo comando da Casa e, quando questionados, preferem afirmar que o foco está nas eleições estaduais de outubro. Nos bastidores, porém, a avaliação é de que a corrida já começou, e que o cenário ainda pode mudar diversas vezes até a abertura oficial da sucessão.
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