PF faz operação contra ex-deputado condenado pela morte de Marielle Franco

    Nova ação investiga fraude milionária com emendas parlamentares federais

    Foto: Arquivo/ Guilherme Cunha/ Alerj

    A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (9), a Operação Emendatio para investigar um suposto esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares federais destinadas a organizações da sociedade civil (OSCs) no estado do Rio de Janeiro. Entre os alvos da ação está o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, condenado como um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

    A operação é um desdobramento das investigações relacionadas ao caso Marielle. De acordo com a Polícia Federal, durante as apurações foram identificados indícios de irregularidades na destinação de recursos públicos para entidades sem fins lucrativos que mantinham contratos e parcerias com órgãos da administração pública federal.

    Ao todo, são cumpridos dois mandados de prisão preventiva e 21 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 100 milhões em bens e valores dos investigados.

    Um dos alvo da operação é Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, também condenado pelo assassinato de Marielle e Anderson Gomes, que já se encontra preso.

    Segundo a PF, parte das emendas parlamentares teria sido desviada por meio de pagamentos indevidos, uso de empresas de fachada e mecanismos destinados a ocultar a origem e o destino do dinheiro.

    Caso Marielle

    Chiquinho Brazão foi vereador do Rio de Janeiro durante 12 anos e exerceu mandato na Câmara Municipal no mesmo período em que Marielle Franco atuou como vereadora, entre 2016 e março de 2018, quando ela foi assassinada.

    Ele foi citado na delação premiada de Ronnie Lessa, autor confesso dos disparos que mataram Marielle Franco e Anderson Gomes. Como detinha foro privilegiado, o caso passou a ser conduzido pelo Supremo Tribunal Federal.

    Chiquinho Brazão e o irmão, Domingos Brazão, acabaram sendo condenados como mandantes do assassinato da vereadora e do motorista. Ambos receberam penas de 76 anos e 3 meses de prisão, além da condenação ao pagamento de indenizações aos familiares das vítimas e ao bloqueio de bens.