Boulos não fala pelo PSOL e vai se filiar ao PT após eleições, diz Ronaldo Mansur
Ao Bahia.ba, Mansur diz que o Boulos se encantou com espaços de poder e prevê migração para o partido do presidente Lula

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, estará em Salvador nesta quarta-feira (15) para participar de uma plenária do Programa de Governo Participativo (PGP 2026 – Encontros para o Futuro). Como antecipado pelo Bahia.ba, o evento também marca o lançamento, na Bahia, dos Comitês Populares da campanha do presidente Lula para as eleições de 2026.
Além do ministro, também estarão presentes no evento nomes de destaque do PT, como o presidente nacional do partido, Edinho Silva; o governador e pré-candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues, e os pré-candidatos ao Senado e ex-governadores, Jaques Wagner e Rui Costa.
A presença de Boulos no palanque do PGP gerou reação dentro do PSOL Bahia. Isso porque o partido possui pré-candidatura própria na disputa pelo Palácio de Ondina, o presidente estadual da sigla, Ronaldo Mansur.
Em entrevista exclusiva ao Bahia.ba, Mansur comentou a participação de Boulos na PGP. Segundo o presidente do PSOL baiano, o ministro participa do evento na condição de integrante do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e não como representante do partido.
“Boulos está vindo aqui para falar em nome do governo, não em nome do PSOL. Quem fala em nome do PSOL é a presidenta nacional do PSOL [Paula Coradi] e o presidente estadual do pessoal Bahia. Então, ele não tem autoridade aqui para falar em nome do PSOL. Ele pode falar em nome do governo e em nome dele. Mas em nome do PSOL, quem fala é a direção”, disse Mansur.
O presidente do PSOL da Bahia ainda lembrou de divergências internas envolvendo a proposta de federação entre o partido e o PT, defendida por setores ligados a Boulos.
“O grupo de Boulos ao qual eu fazia parte, que era a Revolução Solidária Corrente, defendeu a federação com o PT, que foi derrotado, que foi derrotado com 80% do partido contrário, da direção do partido. Eu saí da corrente há cerca de um mês, porque também não concordava e não concordo com a federação com o PT”, declarou.
Mansur ainda apontou para um “encantamento” de Boulos com os espaços de poder governistas e afirmou que o ministro deve deixar o PSOL depois das eleições deste ano.
“Boulos está no governo e quem está no governo, quem entra no governo, a imensa maioria acaba se encantando pelo espaço de poder. Há setores que acham que Boulos vai ser o substituto do Lula. Mas a vida dentro do PT não é fácil. Existem dezenas de pessoas, orgânicas e militantes históricos do PT, que também queriam sentar na cadeira após a era lulista. Mas há companheiros que acreditam nisso”, disse Mansur
“O partido ao qual Boulos teve espaço foi o PSOL. Quem deu a vinda para Boulos foi candidato a prefeito [de São Paulo], candidato a presidente da república, candidato a deputado foi o PSOL. Mas há companheiros que se encantam pelo PT. A gente deseja boa sorte ao companheiro”, acrescentou.
Calendário apertado para convenção na Bahia
Ao ser questionado sobre os planos do PSOL para fortalecer sua pré-candidatura ao Governo da Bahia e atrair lideranças nacionais para o processo eleitoral, Mansur revelou que o partido trabalha para garantir a participação de figuras importantes do PSOL durante a convenção estadual.
No entanto, Mansur disse que a curta janela para realização das convenções partidárias dificulta a presença de parlamentares federais na Bahia, mas há articulações em andamento.
“Nós temos o processo da convenção que ele é muito apertado, ele é muito apertado. Na mesma data que vai estar acontecendo a convenção do PSOL Bahia, nós vamos estar tendo também convenções em outros estados onde nós temos deputados e deputadas federais do PSOL”, detalhou.
“Nós estamos vendo se conseguimos deslocar algum deputado ou deputada do PSOL para a convenção estadual do partido. A Heloísa Helena deverá estar presente. Outras pessoas ficaram de confirmar a presença”, acrescentou.
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