Publicado em 21/07/2026 às 16h20.

Lula diz que Brasil ‘não se entrega’ antes de tarifa dos Estados Unidos

As novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros passam a valer a partir desta quarta-feira (22)

Luana Neiva
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta terça-feira (21), que o Brasil não aceitará determinações externas sobre suas decisões. A declaração foi publicada nas redes sociais na véspera da entrada em vigor de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

“Hoje nada é mais sagrado do que a defesa da soberania nacional. Precisamos fazer com que o povo brasileiro sinta orgulho. Aqui nós erramos por nós. Acertamos por nós. E aqui ninguém diz o que vamos fazer. O Brasil não se entrega”, escreveu Lula.

As novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros passam a valer a partir desta quarta-feira (22), às 00h01 no horário da Costa Leste dos Estados Unidos, 01h01 no horário de Brasília.

Com a medida, o Brasil passa a estar entre os países mais afetados pelas tarifas comerciais americanas, ficando atrás apenas da China no ranking de nações mais taxadas pelos Estados Unidos.

Antes da aplicação da nova alíquota, o Brasil ocupava a 13ª posição no levantamento internacional que acompanha as tarifas impostas pelos EUA. Com a mudança, o país deve avançar para a segunda colocação, ao menos até 25 de julho, quando uma tarifa adicional de 10% aplicada contra produtos brasileiros perde validade conforme a legislação americana.

Tarifa gerou reação do setor produtivo

A nova cobrança havia sido anunciada inicialmente em 1º de junho e provocou mobilização do setor produtivo brasileiro, além de audiências públicas nos Estados Unidos conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

A investigação americana foi baseada na Seção 301 da legislação comercial dos EUA, que permite a adoção de medidas contra países quando Washington identifica práticas comerciais consideradas prejudiciais ou injustas.

Entre os argumentos apresentados pelos Estados Unidos está a criação do Pix, apontado pelo governo americano como um fator que teria afetado a atuação de bandeiras de cartões de crédito dos EUA no mercado brasileiro.

Também foram citadas questões ambientais, como o desmatamento, com a justificativa de que produtores brasileiros teriam vantagem competitiva por operarem sob regras ambientais consideradas menos restritivas do que as aplicadas aos agricultores americanos.

Luana Neiva
Jornalista formada pela Estácio Bahia com experiências profissionais em redações, assessoria de imprensa e produção de rádio. Possui passagens no BNews, iBahia, Secom e Texto&Cia.

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