Publicado em 22/07/2026 às 07h48.

VÍDEO: Flávio questiona urnas eletrônicas e é desmentido pelo TSE

As declarações foram contestadas por informações já divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

Neison Cerqueira
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

 

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, voltou a levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas brasileiras durante uma reunião com diplomatas de quase 50 países, nesta terça-feira (21). As declarações foram contestadas por informações já divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). [Assista ao vídeo no final da reportagem.]

Durante o encontro, Flávio afirmou que parte das urnas utilizadas no Brasil teria a mesma origem dos equipamentos da empresa venezuelana Smartmatic. O senador também mencionou um suposto relatório da CIA relacionado a suspeitas de fraude nas eleições da Venezuela.

“Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa”, declarou.

O TSE afirma que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas ou softwares utilizados no sistema de votação brasileiro. Segundo o tribunal, todo o projeto das urnas e do sistema eletrônico de votação foi desenvolvido e é administrado pela Justiça Eleitoral.

A Corte também esclarece que a empresa venezuelana prestou serviços de conexão de dados e voz ao TSE e participou de uma licitação para a fabricação de urnas em 2020, mas perdeu a disputa para a empresa Positivo.

Em nota, o TSE reforçou que a Smartmatic não participou da programação das urnas brasileiras. A empresa teria atuado apenas no treinamento de profissionais responsáveis por suporte técnico e operacional.

Apesar das declarações, Flávio Bolsonaro afirmou que não estaria questionando a segurança do sistema eleitoral brasileiro. O senador defendeu, porém, o envio de mais observadores internacionais para acompanhar as eleições de 2026.

“Não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições”, disse.

Após a repercussão, a equipe de pré-campanha de Flávio divulgou uma nota afirmando que o senador não colocou em dúvida a integridade das urnas eletrônicas. Segundo o texto, a declaração teria sido descontextualizada e buscava defender o aumento da transparência e da observação internacional nas eleições.

A manifestação de Flávio ocorre quatro anos depois de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), realizar uma reunião com embaixadores para questionar, sem apresentar provas, a segurança das urnas eletrônicas.

O episódio contribuiu para a condenação de Bolsonaro pelo TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A decisão tornou o ex-presidente inelegível até 2030.

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Neison Cerqueira
Jornalista, com atuação na área de política e apaixonado por futebol. Foi coordenador de conteúdo do site Radar da Bahia, repórter do portal Primeiro Segundo e colunista em ambos os veículos. Atuou como repórter na Superintendência de Comunicação da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas e, atualmente, cobre política no portal bahia.ba.

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