Mansur ironiza favoritismos e desafia Jerônimo a apoiá-lo no segundo turno
Candidato minimizou polarização na Bahia e criticou gestões na Segurança e na Saúde

Em entrevista exclusiva ao bahia.ba, o candidato ao governo da Bahia, Ronaldo Mansur (PSOL), fez duras críticas à condução das políticas públicas do estado. O postulante defendeu uma reformulação nas áreas de segurança, saúde e educação, além de criticar as posturas do atual governador e de lideranças da oposição.
Ao projetar a continuidade da disputa pelo Palácio de Ondina, Mansur ignorou a polarização entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o oposicionista ACM Neto (União Brasil), e cobrou um posicionamento claro de seus adversários.
“Sobre o segundo turno, tem que perguntar ao ACM Neto e ao Jerônimo Rodrigues quem é que eles apoiariam no segundo turno”, disparou o candidato. Ele sinalizou a expectativa de receber a adesão do atual chefe do Executivo baiano em uma eventual nova rodada de votação, cobrando reciprocidade.
“A gente espera que o Jerônimo nos apoie no segundo turno. Agora essa pergunta tem que ser feita também a ele, não apenas ao PSOL”, disse.
A viabilidade da candidatura de Mansur virou tema de debate nacional após a agenda de Guilherme Boulos na Bahia.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência afirmou publicamente não ter conhecimento sobre a candidatura própria do PSOL no estado e declarou que a orientação do campo da esquerda deve ser o apoio à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) no plano estadual.
Integração Social na Segurança Pública
Ao tratar dos índices de criminalidade, o candidato apontou a falta de assistência social como a raiz dos problemas enfrentados pela Bahia. Mansur criticou as últimas décadas de gestão, associando o cenário atual tanto ao grupo político de ACM Neto quanto à herança carlista.
“Por todos esses 50 anos que aí está a ausência de uma política séria e uma continuidade de políticas da era carlista, do grupo de ACM Neto, que também não tem moral para falar de nada, por todos esses problemas é que a Bahia hoje herda a criminalidade tomando conta do Estado”, disparou.
Como alternativa, ele defendeu que a segurança pública atue em conjunto com outras pastas fundamentais.
“A gente tem que ter a escola, a arte, a saúde, educação, o esporte, cultura, lazer como um braço auxiliar e principal da segurança pública. Porque se a gente não tem saúde, educação, emprego, renda, esporte, cultura, arte e lazer, a gente vai ter um problema social”, argumentou.
Infraestrutura e Valorização Policial
O candidato também mirou as condições de trabalho das forças policiais das corporações civil e militar, classificando como precárias desde gestões passadas. Ele cobrou o cumprimento de promessas de campanha da atual gestão que, segundo ele, não foram executadas.
“O governo fez uma promessa de campanha que não cumpriu: câmeras nas fardas dos policiais. E não cumpriu. Hoje, menos de dois mil policiais usam câmeras nas fardas”, apontou Mansur, ressaltando o baixo investimento em inteligência e o reduzido efetivo de investigadores na Polícia Civil.
“É inadmissível que uma delegacia de polícia em um bairro com mais de 300 mil moradores tenha dois policiais investigadores apenas, como temos exemplos em Salvador.”
Mansur também cobrou a aquisição de viaturas blindadas para o policiamento ostensivo. “É inadmissível que policiais enfrentem criminosos bem armados com carros sem serem blindados. Pergunta se o carro do governador é blindado ou não. Óbvio que é. Mas aqueles que enfrentam o dia a dia a criminalidade não têm carro blindado”, criticou.
Críticas à Saúde e Fila da Regulação
A infraestrutura hospitalar e o sistema de atendimento foram outros alvos do candidato, que contestou o embate político em torno de quem construiu mais unidades de saúde no estado.
“O governador fica aí na competição Ba-Vi com ACM Neto de quem construiu mais hospitais, mas pergunta se um dos dois frequenta os hospitais públicos. Parece até que é mil maravilhas”, ironizou.
Mansur denunciou a precariedade no acolhimento de pacientes e acompanhantes, além de fazer duras críticas à transparência da fila da regulação em solo baiano.
“A fila da regulação é uma vergonha, virou um negócio político onde as pessoas fazem política com a regulação. A imensa maioria não consegue e tem que recorrer a um vereador, a um secretário, a um prefeito. Não existe nenhuma transparência, é zero.”
Ele também se posicionou de forma contrária aos modelos de concessão vigentes na rede estadual.
“Terceirizar, privatizar os serviços dos hospitais públicos é uma vergonha. Tantos anos os trabalhadores e sindicalistas lutaram contra a exploração do povo trabalhador, e esse governo terceiriza e dá continuidade às políticas de terceirização”, declarou, citando relatos de atrasos salariais entre profissionais de saúde.
Educação e Valorização dos Professores
Na área educacional, Ronaldo Mansur criticou a postura do governador frente à categoria dos docentes, mencionando episódios recentes de desgaste entre a gestão e os servidores da educação.
“O que nós faríamos de diferente em relação ao governo petista? Primeiro é tratar os professores com respeito. Chamar professores de ‘autoritários’ porque reprovam alunos por não terem conseguido uma média mínima é um tremendo desrespeito vindo também de um professor, como é o atual governador”, afirmou.
O postulante questionou os índices de desempenho escolar utilizados em propagandas institucionais e defendeu a aplicação integral do piso salarial dos professores.
“Aprovar estudantes apenas por aprovar, para ter um índice de aprovação para as suas propagandas, não é cuidar do baiano e da baiana. É apenas ter números para fazer propaganda política. É preciso que os professores sejam valorizados, que o piso seja pago, e que não deixem o dinheiro rendendo na conta para os seus projetos políticos”, concluiu Mansur.
Mais notícias
-
Política12h24 de 27/07/2026
Boulos chama Javier Milei de ‘caricatura patética’ após ataques a Lula
Chefe da Secretaria-Geral rebateu falas de líder argentino feitas em convenção partidária
-
Política12h16 de 27/07/2026
Jerônimo encerra PGP 2026 com 30 mil propostas da população
Governador destacou política do cuidado como prioridade para próximos anos; Propostas vão orientar programa de governo
-
Política12h00 de 27/07/2026
ACM Neto promete priorizar saúde e segurança na Bahia
O ex-prefeito de Salvador criticou a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT)
-
Política11h10 de 27/07/2026
PT aciona TSE contra PL por vídeo de IA com Bolsonaro
Material recriou imagem e voz de Jair Bolsonaro durante lançamento de candidatura de Flávio, que ocorreu no último sábado (25)
-
PolíticaEXCLUSIVO10h23 de 27/07/2026
Candidato ao Senado propõe criação de ‘piso mínimo salarial’ na Bahia
Marcelo Carvalho coloca federação PSOL-Rede como opção única da esquerda
-
Política10h12 de 27/07/2026
Lula pode ficar fora da Band após definir ato de campanha
Campanha do petista marcou ato em São Bernardo no mesmo dia do primeiro debate presidencial realizado pela Band
-
Política09h51 de 27/07/2026
Jerônimo delega novas funções a novo secretário da Casa Civil
As medidas foram oficializadas no Diário Oficial do Estado (DOE) na edição de sábado (25)
-
Política09h12 de 27/07/2026
Durigan chama Javier Milei de ‘palhaço’ e exalta indicadores do Brasil
Reação da equipe econômica ocorre em meio à escalada de atritos diplomáticos com Buenos Aires
-
Política08h56 de 27/07/2026
Flávio Bolsonaro tem 50% de rejeição e Lula, 48%, diz pesquisa
Além da rejeição, a pesquisa avaliou o potencial de voto de Flávio e Lula









