Publicado em 27/07/2026 às 16h38.

Check-up do quadril pode identificar doenças antes do surgimento de dores

Avaliação ajuda a detectar alterações precocemente e amplia as possibilidades de tratamento

Redação
Foto: Divulgação

 

Problemas no quadril costumam evoluir de forma silenciosa e, em muitos casos, só passam a causar dor quando a articulação já apresenta algum grau de comprometimento. Por isso, especialistas recomendam a realização de avaliações preventivas para identificar alterações precocemente e aumentar as chances de um tratamento menos invasivo.

Segundo a Sociedade Brasileira do Quadril (SBQ), a artrose é uma das doenças mais frequentes da articulação e afeta cerca de 10 milhões de brasileiros. Além dela, o check-up também pode auxiliar na identificação de bursites, inflamações, síndromes de impacto e outras alterações estruturais que comprometem a mobilidade.

De acordo com o ortopedista e cirurgião do quadril Leandro Alves de Oliveira, membro titular da SBQ, o diagnóstico precoce pode mudar o rumo do tratamento.

“O diagnóstico precoce muda o rumo do tratamento. Muitos problemas no quadril surgem sem sintomas evidentes no início, o que faz com que o paciente adie a avaliação especializada. O check-up é justamente o momento em que exames e consulta clínica se tornam mais úteis, porque conseguem revelar desgaste, inflamação ou alterações biomecânicas antes que a limitação funcional apareça de forma clara”, afirma.

Como funciona a avaliação

O check-up começa com uma consulta clínica, na qual o médico investiga o histórico do paciente, o tempo de duração dos sintomas, a localização da dor, a prática de atividades físicas e a existência de casos semelhantes na família.

Na sequência, o especialista avalia aspectos como marcha, postura, movimentos da pelve e possíveis limitações da articulação. Dependendo dos achados, testes clínicos específicos podem ser realizados para identificar alterações musculares, instabilidade ou outras condições que expliquem a origem da dor.

“Quando necessário, o médico lança mão de testes clínicos específicos para refinar a hipótese diagnóstica, como manobras para avaliar impacto, encurtamentos musculares e sinais de instabilidade ou fraqueza da musculatura abdutora. Esses testes ajudam a diferenciar se a dor vem realmente do quadril ou se está relacionada à coluna lombar, à virilha, aos tendões ou a outras estruturas próximas”, explica.

Caso seja necessário complementar a investigação, o raio-X costuma ser o primeiro exame solicitado para avaliar alterações ósseas e sinais de artrose. Em situações específicas, a ressonância magnética pode ser indicada para detectar inflamações, lesões iniciais e outros problemas que não aparecem com clareza na radiografia.

Tratamento pode evitar procedimentos mais complexos

A identificação precoce das alterações permite que o tratamento seja definido de acordo com as características de cada paciente, levando em consideração fatores como idade, rotina, nível de atividade física e estágio da doença.

“Quando o problema é identificado cedo, o tratamento tende a ser mais eficaz, menos agressivo e com melhores resultados funcionais. Assim, podemos optar pela fisioterapia, por ajuste de hábitos, pelo fortalecimento muscular e o controle da dor, muitas vezes evitando a evolução para quadros mais avançados e, em alguns casos, postergando ou até prevenindo uma cirurgia”, destaca Leandro Alves de Oliveira.

O especialista orienta que pessoas com dor na região da virilha, rigidez, estalos frequentes, perda de mobilidade ou histórico familiar de doenças articulares procurem avaliação médica. Segundo ele, o acompanhamento especializado aumenta as chances de preservar a função da articulação e reduzir a progressão de possíveis doenças.

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