Publicado em 28/07/2026 às 17h10.

Copa de 2027 pode obrigar Bahia e Vitória a jogarem fora do estado

Uso dos principais estádios de Salvador como centros de treinamento e indefinição sobre a Libertadores levantam dúvidas sobre onde os clubes poderão atuar durante o Mundial

Juliano Franca
Foto: Rafael Rodrigues/EC Bahia e Victor Ferreira/EC Vitória

 

A possibilidade de a Copa do Mundo Feminina de 2027 provocar mudanças no calendário da Conmebol abriu um novo debate para Bahia e Vitória. Com Salvador entre as cidades-sede do torneio, os dois clubes podem enfrentar dificuldades para mandar partidas caso ainda estejam disputando competições continentais durante o período do Mundial.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a Conmebol considera “desejável” paralisar a Libertadores masculina durante a Copa do Mundo Feminina, marcada entre junho e julho de 2027 no Brasil. A medida ainda está em análise e, até o momento, não há uma decisão oficial sobre a interrupção das competições.

Caso a paralisação não aconteça, o cenário pode ser especialmente delicado para os clubes baianos.

Salvador pode ficar sem estádios disponíveis

Foto: Leticia Martins/EC Bahia

 

Caso a Conmebol mantenha o calendário da Libertadores durante a Copa do Mundo Feminina, Bahia e Vitória podem enfrentar dificuldades para mandar partidas internacionais em Salvador. A Arena Fonte Nova, principal casa do Bahia, e o Barradão, estádio do Vitória, estão previstos para servir como centros de treinamento de seleções durante o Mundial. Pituaçu, outra alternativa na capital baiana, também será utilizado pela Fifa, deixando os dois clubes sem opções na cidade.

As alternativas dentro da Bahia também são limitadas. O Estádio Joia da Princesa, em Feira de Santana, por exemplo, não atende às exigências mínimas de capacidade previstas pela Conmebol para boa parte da competição. O regulamento estabelece estádios com pelo menos 7,5 mil lugares na fase preliminar, 10 mil na fase de grupos, 20 mil nas oitavas de final, playoffs e quartas, além de 30 mil nas semifinais. Caso o estádio habitual de um clube não cumpra os requisitos da fase disputada, a equipe é obrigada a indicar outra arena homologada pela entidade.

Na prática, caso avancem às fases eliminatórias da Libertadores e a paralisação não seja confirmada, Bahia e Vitória podem ser obrigados a mandar partidas fora do estado. Entre as opções mais próximas com estrutura compatível estão estádios em capitais como Recife e Fortaleza, enquanto outras alternativas ficam ainda mais distantes, elevando custos logísticos e reduzindo a vantagem de atuar diante da torcida.

Clubes aguardam definição

A indefinição sobre o calendário continental faz com que o planejamento para 2027 permaneça em aberto. Uma eventual paralisação da Libertadores resolveria parte do problema, mas, enquanto a Conmebol não oficializa a decisão, permanece a dúvida sobre como os clubes sediados em Salvador administrariam a ausência de seus estádios durante o Mundial.

Além do impacto esportivo, uma possível mudança de mando para outro estado também poderia gerar custos extras de logística, operação e deslocamento, além de afastar os torcedores das partidas decisivas.

A tendência é que a definição da Conmebol sobre o calendário da Libertadores e da Copa Sul-Americana seja um dos principais temas de discussão nos próximos meses, especialmente entre os clubes brasileiros que disputarão competições internacionais em 2027.

Juliano Franca
Graduando em jornalismo pela UFBA e estagiário do Bahia.BA. Feirense, fundador da Fute em Foco, crítico de cinema pelo Cine.Italo, cofundador do Daft.Cult e membro da Liga de Jornalismo Esportivo da UFBA e da Liga de Cinema e Audiovisual.

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