Publicado em 29/07/2026 às 14h36.

MP investiga HEMOBA por suspeita de discriminação contra LGBT

A promotora Márcia Regina Ribeiro Teixeira justifica procedimento como medida necessária para verificar a conduta técnica da Fundação

Aline Gama
Foto: Camila Souza / GOVBA

 

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) instaurou um procedimento administrativo estrutural para investigar a conduta da Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (HEMOBA) em relação ao atendimento de doadores de sangue pertencentes à comunidade LGBTQIA+.

A portaria, publicada nesta quarta-feira (29) e assinada pela 4ª Promotora de Justiça com atribuição na proteção dos direitos da população LGBTI+, Márcia Regina Ribeiro Teixeira, tem como foco apurar denúncias de que a fundação estaria recusando doações com base na orientação sexual dos candidatos, prática já considerada ilegal e inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A abertura do inquérito civil decorre de relatos colhidos durante o “Mutirão de Retificação da Atento”, evento promovido na sede da empresa em Salvador, que ofereceu acolhimento e encaminhamento para a retificação de prenome e gênero de pessoas trans e travestis.

O que deveria ser um espaço exclusivo de afirmação da cidadania e da dignidade, segundo a promotora, acabou se revelando também um canal para queixas sobre um retrocesso no acesso à saúde. A situação, conforme destacado no edital, demonstra a “profunda interconexão entre as diversas esferas de exclusão social” enfrentadas por essa parcela da população.

Motivação para o procedimento

A promotora Márcia Regina Ribeiro Teixeira justifica a instauração do procedimento estrutural, instrumento extrajudicial voltado à elucidação de lesões a interesses difusos e coletivos, como medida necessária para verificar a conduta técnica e administrativa do HEMOBA. O objetivo do MP é monitorar a implementação de políticas públicas antidiscriminatórias no estado e, a partir da coleta de provas, buscar soluções consensuais, como um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), ou, se for o caso, ingressar com uma Ação Civil Pública.

Em sua manifestação, a promotora destaca que a recusa imotivada de doadores pertencentes a minorias sexuais viola os princípios fundamentais da igualdade e do pluralismo, além de frustrar o caráter voluntário, altruísta e solidário inerente ao ciclo da doação de sangue. O procedimento está em fase inicial de instrução, e a Fundação HEMOBA deverá ser oficialmente notificada para prestar esclarecimentos sobre os protocolos de triagem adotados em suas unidades, sob pena de responsabilização.

Aline Gama
Advogada formada pela UniRuy (2019), com pós-graduação em Direito Público pela Baiana de Direito (2022) e Jornalista pela Unijorge. Já atuou como Social Media no portal iBahia, repórter da coluna de Justiça no Bahia Notícias e atualmente é editora de Justiça no Bahia.ba.
Temas: mpba , hemoba

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