Mansur apoia Lula, veta ‘pelegos’ e acusa Boulos de submissão ao PT

    Candidato do PSOL defende autonomia regional nas eleições de 2026

    Foto: Divulgação

    O candidato ao governo da Bahia pelo PSOL, Ronaldo Mansur, destacou o apoio da legenda à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nacionalmente, mas rechaçou qualquer submissão obrigatória da esquerda no cenário local.

    Em entrevista exclusiva ao bahia.ba, Mansur fez duras críticas à gestão estadual e ao comportamento de lideranças nacionais da própria sigla, afirmando que os rumos da eleição baiana devem ser definidos no próprio estado.

    “O nosso apoio nacional ao presidente Lula não está vinculado a gente estar preso a posições nos estados. A posição que o governo tem aqui no estado em relação ao PSOL é de tremendo desrespeito e a gente não aceita isso. Se o governo achou que iria conseguir apoio nacional em relação aqui à Bahia, errou, porque o partido aqui tem presidente e tem direção. Quem fala pela Bahia não são os sulistas, os sudestinos”, disparou Mansur.

    Ronaldo Mansur ataca gestão de Jerônimo

    O candidato também rebateu as pressões de bastidores que apontam que sua candidatura estaria dividindo votos no campo progressista baiano.

    “A gente não vai deixar de fazer críticas aos problemas que a Bahia passa por supostamente favorecer ao candidato que também é opositor ao governo atual. Nós não fazemos parte do pacotão de pelegos do governo do Estado da Bahia e de nenhum outro estado”, disparou.

    “A gente tem posição política, programática, de esquerda em relação ao governo do estado. Como também temos posição de esquerda contra o prefeito de Salvador, Bruno Reis, do grupo do ACM Neto”, pontuou, completando que esse tipo de argumento “tende a querer intimidar as posições do PSOL, que não conseguem”.

    Boulos x PSOL da Bahia

    Sobrou espaço ainda para críticas ao posicionamento do atual ministro do governo Lula Guilherme Boulos, que em recente agenda oficial na Bahia alegou não ter conhecimento sobre a formação de uma chapa majoritária própria do partido no território baiano.

    “Boulos não tem nenhuma autoridade sobre o PSOL Bahia. Quem preside o PSOL Bahia somos nós, baianos, nordestinos. Chega dos sulistas, sudestinos olharem a região Norte, Nordeste e a Bahia como periferia do país”, argumentou.

    “Boulos mentiu quando esteve aqui na Bahia dizendo que não tinha conhecimento da pré-candidatura, porque eu fazia parte da mesma corrente de Boulos. Eu sai da corrente de Boulos no início de junho”, revelou Mansur.

    De acordo com o candidato ao Palácio de Ondina, a linha de ação defendida pela ala de Boulos visava anular o protagonismo do PSOL nas capitais e estados do país.

    “Pelo Boulos, o PSOL não teria lançado candidato a governador em nenhum estado, teria se ajoelhado aos desejos do PT e do governo. Teria entrado em uma federação com o PT. Só que essa posição foi derrotada, porque a nossa prioridade é o PSOL e a luta em defesa do nosso povo baiano. Boulos aqui não apita em nada”, concluiu.