Publicado em 30/07/2026 às 11h15.

PC prende líder de associação criminosa para roubo de cabos na Bahia

Foram apreendidos no local um veículo, uma motocicleta, um reboque, materiais elétricos, aparelhos celulares, cabos de alta e média tensão e ferramentas utilizadas na prática criminosa.

Redação
Foto: Divulgação

 

 

A Polícia Civil da Bahia (PC-BA) deflagrou, nesta quinta-feira (30), a Operação Cabo de Força, com o objetivo de desarticular uma associação criminosa especializada em roubos de cabos elétricos e materiais industriais de alto valor. As ações ocorreram nos bairros de Fazenda Coutos e Paripe, em Salvador, e no município de Camaçari, na Região Metropolitana. Durante a operação, foi cumprido um mandado de prisão e quatro mandados de busca e apreensão.

Em Camaçari, um dos investigados, apontado como líder do grupo, foi localizado em uma residência. Ao perceber a aproximação das equipes, ele tentou fugir, mas foi alcançado e preso. Segundo a apuração, ele era responsável por planejar os ataques, elaborar a logística, recrutar integrantes e participar diretamente da execução dos crimes. O irmão dele, também investigado como integrante da organização, não foi localizado e segue sendo procurado. No imóvel, um terceiro homem foi autuado em flagrante por receptação.

Foram apreendidos no local um veículo, uma motocicleta, um reboque, materiais elétricos, aparelhos celulares, cabos de alta e média tensão e ferramentas utilizadas na prática criminosa.

De acordo com as investigações, o grupo atua de forma estruturada desde 2015, tendo como alvos principais empresas instaladas nos polos industriais do Centro Industrial de Aratu (CIA) e de Aratu, na Região Metropolitana de Salvador. O modus operandi inclui planejamento prévio, divisão de tarefas, uso de veículos de apoio e restrição da liberdade das vítimas.

Um dos casos atribuídos ao grupo ocorreu na noite de 19 de maio deste ano, em Mata de São João. Homens armados invadiram uma empresa, mantiveram funcionários rendidos por aproximadamente seis horas e desligaram o fornecimento de energia da fábrica para retirar grande quantidade de cabos elétricos e componentes da rede elétrica. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 500 mil.

As apurações indicam que um dos investigados conduzia uma van utilizada para transportar os cabos roubados em sucessivas viagens, enquanto outro utilizava um veículo SUV para monitorar a movimentação nas imediações, escoltar o veículo de carga e dar suporte à fuga. O grupo também utilizava rádios comunicadores, máscaras, luvas e veículos de apoio, além de remover o equipamento de gravação das câmeras de segurança da empresa para dificultar a identificação dos envolvidos.

O diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (DEPOM), delegado Moisés Damasceno, destacou o nível de organização do grupo. “As diligências demonstraram que o grupo conhecia previamente a rotina das empresas, os horários de troca de turno, a ausência de vigilância privada durante a noite e a localização exata dos materiais de maior valor. Os criminosos tinham como objetivo exclusivamente a subtração de cabos elétricos e outros insumos industriais, sem interesse em dinheiro, equipamentos eletrônicos ou pertences das vítimas, o que evidencia a especialização dessa associação criminosa nesse tipo de delito”, afirmou.

Os elementos reunidos na investigação indicam que o mesmo modus operandi foi empregado em roubos contra empresas nos municípios de Feira de Santana, Simões Filho, Dias d’Ávila e Camaçari. Em todos os casos, foram identificadas características semelhantes, como a restrição da liberdade das vítimas, a subtração de materiais industriais de alto valor e a utilização de veículos de apoio.

As diligências também identificaram que um dos investigados utilizava uma motocicleta Honda XRE 300 com placa clonada para seus deslocamentos, estratégia empregada para dificultar sua identificação.

A Operação Cabo de Força contou com a participação de 14 equipes policiais e foi coordenada pela Delegacia-Geral Operacional (DGO), por meio do DEPOM, com apoio do Departamento de Inteligência Policial (DIP). As investigações são conduzidas pela 1ª Delegacia Territorial de Mata de São João. Os mandados judiciais visaram apreender dispositivos eletrônicos, documentos e outros elementos de interesse para o avanço das investigações, além de identificar os demais integrantes da organização criminosa e os possíveis receptadores.

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