Publicado em 31/07/2026 às 13h45.

Carlinhos Brown defende cultura como vetor econômico na Bahia

Em participação no 1º Fórum Estadual de Fundações da Bahia, o cantor falou defendeu a continuidade de ações culturais como as desenvolvidas na Guetto Square

Aline Gama
Foto: Aline Gama / Bahia.ba

 

Em participação no 1º Fórum Estadual de Fundações da Bahia, realizado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) com apoio institucional da Fundação Maria Emília e da Fundação Irmã Dulce, o cantor e compositor Carlinhos Brown apresentou uma análise sobre a relação entre cultura, políticas públicas e desenvolvimento social. Durante sua fala, o artista defendeu a continuidade de ações culturais como as desenvolvidas na Guetto Square e no Pelourinho, além da criação de novos espaços de expressão.

Brown argumentou que as manifestações culturais estão inseridas na cadeia produtiva e, por isso, demandam políticas públicas estruturadas. “É bonito aquele acontecimento ali no Carnaval, no verão, mas hoje nós estamos trabalhando 365 dias para sete dias”, afirmou. Ele destacou que grupos como Timbalada e Olodum necessitam de independência para continuar formando músicos, e que nem todos os coletivos conseguem sair do estado e alcançar projeção nacional.

O músico também abordou a relação entre produção cultural e educação. Ele criticou a tendência de se fazer “música fácil”, classificando-a como “uma música descabida no desejo de educação que nós temos no terceiro setor”. Segundo Brown, quando a música da sobrevivência trata temas como violência doméstica pela via da banalidade, isso configura “educação reversa”. Ele ponderou, no entanto, que a liberdade de expressão deve ser preservada, mas pode ser conduzida pela liberdade de educação, “e isso é feito pelo conhecimento”.

Ao tratar do voluntariado, Brown afirmou que “o voluntariado é importante, mas ele não pode ser assistencialista, porque o que o terceiro setor precisa é de assistência, não de assistencialismo”. Ele mencionou sua trajetória em ação voluntária na comunidade do Candeal, onde projetos como a Pracatum formaram lideranças culturais por meio de cursos profissionalizantes. Ele lembrou episódios em que voluntários, após atuarem sem remuneração, buscaram a via judicial para reivindicar direitos, e relatou que chegou a arcar com indenizações para resolver essas situações.

Brown destacou a necessidade de que o poder público enxergue a cultura para além do folclore e a reconheça como “ponto importante de economia”. Para ele, sem essa percepção, a profissionalização do setor fica comprometida. Ele defendeu que o primeiro setor confie nas lideranças comunitárias para gerar oportunidades e que o diálogo entre gestores públicos e representantes das comunidades é essencial para alcançar resultados.

Aline Gama
Advogada formada pela UniRuy (2019), com pós-graduação em Direito Público pela Baiana de Direito (2022) e Jornalista pela Unijorge. Já atuou como Social Media no portal iBahia, repórter da coluna de Justiça no Bahia Notícias e atualmente é editora de Justiça no Bahia.ba.

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