Publicado em 31/07/2026 às 15h28.

Maria Marighella cobra mais mulheres na chapa do PT e diz que pauta é inegociável

Candidata a deputada federal afirma que bancada feminina deve ser prioridade da sigla

André Souza / Daniel Serrano
Foto: Daniel Serrano/Bahia.ba

 

A candidata a deputada federal Maria Marighella (PT) defendeu nesta sexta-feira (31) que a ampliação da participação feminina na política seja uma das prioridades do partido nas eleições de 2026. Durante a convenção estadual do PT, realizada no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, ela afirmou que o fortalecimento da bancada de mulheres é uma agenda central da legenda e criticou a baixa representação feminina nos espaços de poder.

Segundo Marighella, o objetivo é construir uma bancada mais representativa, alinhada às diretrizes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Primeiro acho que a gente precisa falar desse debate, que é o debate de mais mulheres na política. Essa convenção vai mostrar a disposição do Partido, da Federação, em ter uma bancada com mais mulheres. Acho que essa que é a bandeira e a agenda que a gente vai levantar.”

A petista afirmou que o cenário político ainda é marcado pela sub-representação feminina e pela violência política contra mulheres.

“A gente tem uma baixíssima representação, a gente tem uma cena de muita violência política contra mulheres, a gente tem um cenário de muita violência na vida das mulheres. E o presidente Lula tem essa diretriz que não só amplia a nossa bancada, mas também uma bancada feminina e feminista.”

Cultura é apresentada como eixo do desenvolvimento

Ex-secretária de Cultura de Salvador, Marighella também destacou as políticas culturais implementadas pelo governo federal desde o retorno do Ministério da Cultura e defendeu maior representação do setor no Congresso Nacional.

Ela citou como exemplo a Política Nacional Aldir Blanc, que prevê repasses permanentes para estados e municípios financiarem ações culturais.

“Depois, a cultura demonstrou muito vigor em, primeiro recuperar o Ministério da Cultura, as políticas culturais. As entregas que nós fizemos a exemplo da Política Nacional de Aldir Blanc que descentraliza recursos a todas as prefeituras, os mais de 5 mil municípios do Brasil, e na Bahia os 417 municípios.”

Segundo a candidata, a cultura ocupa papel estratégico para o desenvolvimento econômico e social do estado.

“Uma ação dessa natureza precisa de uma bancada e de uma representação à altura do que a cultura representa na matriz do desenvolvimento da Bahia, reduzindo as desigualdades, a pobreza, sendo a matriz da economia baiana.”

Campanha terá foco em direitos humanos e agenda ambiental

Marighella afirmou ainda que sua candidatura pretende incorporar pautas ligadas aos direitos humanos, à educação, ao meio ambiente e à defesa dos biomas, associando essas bandeiras ao projeto político liderado pelo presidente Lula e pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT).

“É com essa disposição, cultura, gênero e outras pautas tão importantes, é pelos direitos humanos, o acesso à educação, a agenda ambiental, os direitos humanos, mas também os não humanos, como os direitos da natureza, a defesa dos rios, dos biomas.”

Ela acrescentou que pretende construir uma campanha baseada no diálogo com movimentos sociais e na elaboração de propostas para o estado.

“Acho que a nossa campanha, uma campanha feita da opinião, feita com os movimentos, feita de uma reivindicação de um programa mais justo, possa contribuir a essa caminhada, elegendo Lula e Jerônimo, mas sobretudo participando desse programa.”

Marighella critica chapas majoritárias masculinas

Questionada sobre a ausência de mulheres nas duas chapas majoritárias que polarizam a disputa pelo governo da Bahia, a candidata disse que a questão precisa ser tratada como prioridade dentro do PT.

Segundo ela, o tema foi levado diretamente ao senador Jaques Wagner, que teria recebido a reivindicação de forma positiva.

“Eu acho que nós precisamos colocar isso como pauta principal. Tive essa conversa diretamente com o senador Jaques Wagner, tive oportunidade de conversar com ele, ele acolheu. Acho que o papel que as mulheres precisam trazer é esse de ter uma pauta inegociável.”

Para Marighella, ampliar a presença feminina depende de uma decisão política das lideranças partidárias.

“Essas coisas não se constroem sem uma decisão de partido, sem uma decisão das lideranças.”

Petista prevê voto feminino mais organizado

A candidata afirmou acreditar que haverá um crescimento do voto voltado a candidaturas femininas nas eleições de 2026 e disse que esse movimento já é percebido entre o eleitorado.

“Nós já vemos no espaço público mulheres que não votam mais em homens e nós vamos viver isso na eleição. Estou falando com os meus colegas, estou falando com os deputados, eu estou falando com aqueles que vão estar candidatos que vai haver um contingente de mulheres nessa eleição que vai colocar a sua posição na urna.”

Ela defendeu que o PT acompanhe essa transformação e amplie o protagonismo feminino tanto nas candidaturas quanto na formulação de políticas públicas.

“O PT vai precisar tomar conta disso, as nossas lideranças, a nossa chapa majoritária para que nós tenhamos não apenas mais mulheres, mas que nós temos um programa feito por mulheres.”

Ao citar a participação da primeira-dama Janja Lula da Silva e da primeira-dama da Bahia, Tatiana Veloso, em agendas sobre o enfrentamento à violência contra a mulher, Marighella afirmou que o combate ao feminicídio precisa estar entre as prioridades da campanha.

“Hoje Janja, a nossa primeira-dama, vai estar com a nossa primeira-dama Tatiana Veloso, as duas juntas, nos abraçando para que nós possamos, inclusive hoje, na Bahia, debater o pacto nacional contra o feminicídio. É isso que está na ordem do dia. E a nossa chapa majoritária, os nossos candidatos, as nossas lideranças, precisam também vir conosco nessa agenda.”

André Souza
Jornalista com experiência nas editorias de esporte e política, com passagens pela Premier League Brasil, Varela Net e Prefeitura Municipal de Laje. Apaixonado por esportes e música, atualmente trabalha como repórter de Política no portal bahia.ba.

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