Publicado em 03/08/2026 às 09h57.

PGR foi contra apreensão de bens de luxo de Jaques Wagner

Paulo Gonet divergiu do ministro André Mendonça sobre apreensão de bens de Wagner, alvo de operação da PF que investiga o caso Master

Daniel Serrano
Foto: Carlos Moura/Ag. Senado

 

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, se posicionou contra a apreensão de bens de luxo e dinheiro em espécie encontrados durante a operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT). As informações são da coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo. 

De acordo com a publicação, a manifestação foi apresentada ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), mas acabou sendo rejeitada pelo magistrado.

A operação que teve Wagner como alvo foi deflagrada em 18 de junho e resultou na apreensão de 13 relógios de luxo e cerca de R$ 479 mil em dinheiro em endereços ligados ao ex-líder do governo Lula no Senado, incluindo um hotel em Brasília e o apartamento do parlamentar em Salvador.

O parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), a decisão de Mendonça e o relatório da PF que embasou a ação foram divulgados na última quinta-feira (30), após determinação do ministro do STF.

Segundo Gonet, a coleta de objetos de alto valor não deveria fazer parte da medida de busca e apreensão naquele momento. Para o procurador-geral, a simples presença de bens considerados luxuosos em imóveis investigados não configura, por si só, prática criminosa.

“A apreensão de valores e bens de luxo ou de alto valor não se presta a esse intuito que justifica e legitima a providência invasiva. A apreensão requerida se mostra, ainda, prematura, porque a só existência de bens de alto valor nos recintos invadidos não é, por si, crime”, escreveu Gonet.

Relógios de luxo e dinheiro foram apreendidos pela PF

O pedido apresentado pela Polícia Federal previa autorização para recolher dinheiro em espécie acima de R$ 20 mil, além de joias, obras de arte, veículos, aeronaves e outros itens considerados de alto valor encontrados em propriedades ligadas ao senador baiano.

A PF informou que alguns dos relógios apreendidos podem pertencer a marcas de luxo, como Patek Philippe, Cartier e Hublot. Conforme avaliação preliminar dos investigadores, determinados itens podem alcançar valores próximos a R$ 500 mil.

No entanto, a defesa de Jaques Wagner afirmou que entre os objetos recolhidos existem peças originais e réplicas, sem detalhar quais seriam cada uma delas.

Mendonça autorizou pedido da Polícia Federal

Apesar da manifestação contrária da PGR, André Mendonça autorizou a apreensão dos bens solicitados pela PF. Na decisão, o ministro considerou que havia elementos que justificavam a realização da operação no âmbito das investigações do caso Master.

Gonet também alertou para possíveis impactos da medida. Segundo ele, a apreensão de objetos de alto valor poderia provocar “estrépito social e midiático” desnecessário e ampliar os efeitos da investigação sobre direitos fundamentais dos envolvidos.

Investigação aponta suspeita de vazamento

A decisão de Mendonça também cita uma suspeita de vazamento de informações sigilosas durante a apuração. Segundo a investigação, um pedido de audiência feito por Jaques Wagner ao ministro no mesmo dia em que a PF solicitou autorização para realizar a operação levantou dúvidas entre os investigadores.

A audiência, realizada em 9 de junho, uma semana antes da operação, tinha como objetivo tratar da relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro e com o ex-sócio do Banco Master Augusto Lima.

De acordo com a PF, mensagens e documentos obtidos durante a investigação também indicam que negociações envolvendo a compra de um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,5 milhões para Wagner continuaram mesmo após a primeira fase da Operação Compliance Zero, que levou à prisão de Vorcaro em novembro de 2025.

O imóvel, com 245 metros quadrados e localizado no empreendimento Poème Horto, no bairro do Horto Florestal, em Salvador, teria sido adquirido por meio de uma estrutura envolvendo fundos ligados ao Banco Master e empresas relacionadas aos investigados.

Wagner afirma estar tranquilo e diz que provará inocência

Em entrevista à Rádio Baiana FM na última sexta-feira (31), Wagner afirmou que preferiu não detalhar o assunto por orientação de seu advogado, mas voltou a declarar que é inocente das acusações e defendeu que a PF siga com o trabalho de investigação.

“Tenho certeza que vou provar minha inocência. O inquérito dura um tempo. Agora estou focado na eleição. Que a PF faça seu trabalho, investigue, proponha ao Ministério Público, que avalie, depois a Justiça vai julgar”, afirmou.

Daniel Serrano
Daniel Serrano é baiano de Salvador e atua como repórter de Política no bahia.ba. com passagens pela TV da Câmara Municipal de Salvador e pelos sites Varela Notícias, Radar da Bahia, Política Ao Vivo e BNews.

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