PGR foi contra apreensão de bens de luxo de Jaques Wagner
Paulo Gonet divergiu do ministro André Mendonça sobre apreensão de bens de Wagner, alvo de operação da PF que investiga o caso Master

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, se posicionou contra a apreensão de bens de luxo e dinheiro em espécie encontrados durante a operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT). As informações são da coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo.
De acordo com a publicação, a manifestação foi apresentada ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), mas acabou sendo rejeitada pelo magistrado.
A operação que teve Wagner como alvo foi deflagrada em 18 de junho e resultou na apreensão de 13 relógios de luxo e cerca de R$ 479 mil em dinheiro em endereços ligados ao ex-líder do governo Lula no Senado, incluindo um hotel em Brasília e o apartamento do parlamentar em Salvador.
O parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), a decisão de Mendonça e o relatório da PF que embasou a ação foram divulgados na última quinta-feira (30), após determinação do ministro do STF.
Segundo Gonet, a coleta de objetos de alto valor não deveria fazer parte da medida de busca e apreensão naquele momento. Para o procurador-geral, a simples presença de bens considerados luxuosos em imóveis investigados não configura, por si só, prática criminosa.
“A apreensão de valores e bens de luxo ou de alto valor não se presta a esse intuito que justifica e legitima a providência invasiva. A apreensão requerida se mostra, ainda, prematura, porque a só existência de bens de alto valor nos recintos invadidos não é, por si, crime”, escreveu Gonet.
Relógios de luxo e dinheiro foram apreendidos pela PF
O pedido apresentado pela Polícia Federal previa autorização para recolher dinheiro em espécie acima de R$ 20 mil, além de joias, obras de arte, veículos, aeronaves e outros itens considerados de alto valor encontrados em propriedades ligadas ao senador baiano.
A PF informou que alguns dos relógios apreendidos podem pertencer a marcas de luxo, como Patek Philippe, Cartier e Hublot. Conforme avaliação preliminar dos investigadores, determinados itens podem alcançar valores próximos a R$ 500 mil.
No entanto, a defesa de Jaques Wagner afirmou que entre os objetos recolhidos existem peças originais e réplicas, sem detalhar quais seriam cada uma delas.
Mendonça autorizou pedido da Polícia Federal
Apesar da manifestação contrária da PGR, André Mendonça autorizou a apreensão dos bens solicitados pela PF. Na decisão, o ministro considerou que havia elementos que justificavam a realização da operação no âmbito das investigações do caso Master.
Gonet também alertou para possíveis impactos da medida. Segundo ele, a apreensão de objetos de alto valor poderia provocar “estrépito social e midiático” desnecessário e ampliar os efeitos da investigação sobre direitos fundamentais dos envolvidos.
Investigação aponta suspeita de vazamento
A decisão de Mendonça também cita uma suspeita de vazamento de informações sigilosas durante a apuração. Segundo a investigação, um pedido de audiência feito por Jaques Wagner ao ministro no mesmo dia em que a PF solicitou autorização para realizar a operação levantou dúvidas entre os investigadores.
A audiência, realizada em 9 de junho, uma semana antes da operação, tinha como objetivo tratar da relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro e com o ex-sócio do Banco Master Augusto Lima.
De acordo com a PF, mensagens e documentos obtidos durante a investigação também indicam que negociações envolvendo a compra de um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,5 milhões para Wagner continuaram mesmo após a primeira fase da Operação Compliance Zero, que levou à prisão de Vorcaro em novembro de 2025.
O imóvel, com 245 metros quadrados e localizado no empreendimento Poème Horto, no bairro do Horto Florestal, em Salvador, teria sido adquirido por meio de uma estrutura envolvendo fundos ligados ao Banco Master e empresas relacionadas aos investigados.
Wagner afirma estar tranquilo e diz que provará inocência
Em entrevista à Rádio Baiana FM na última sexta-feira (31), Wagner afirmou que preferiu não detalhar o assunto por orientação de seu advogado, mas voltou a declarar que é inocente das acusações e defendeu que a PF siga com o trabalho de investigação.
“Tenho certeza que vou provar minha inocência. O inquérito dura um tempo. Agora estou focado na eleição. Que a PF faça seu trabalho, investigue, proponha ao Ministério Público, que avalie, depois a Justiça vai julgar”, afirmou.
Mais notícias
-
Política10h39 de 03/08/2026
Caiado prega violência policial contra agressores: ‘Educadinha’
Candidato cobrou respeito às autoridades e detalhou plano de confisco de bens de criminosos
-
Política10h22 de 03/08/2026
Caso Master: PF adia depoimento de Augusto Lima
Defesa de Augusto Lima pediu adiamento de depoimento à PF alegando falta de acesso integral às provas do caso Master
-
Política09h50 de 03/08/2026
Acusado de apoiar reforma, Paulinho da Força diz que Lula está ‘gagá’
Deputado federal reagiu a discurso do petista que o acusou de apoiar o enfraquecimento de direitos trabalhistas
-
Política09h20 de 03/08/2026
Perícia aponta uso de IA em plano de governo de ACM Neto
Relatório aponta uso de IA em plano de ACM Neto; defesa admite tecnologia, mas nega participação na criação das propostas.
-
PolíticaEXCLUSIVO09h09 de 03/08/2026
Escolhida suplente, Aladilce defende maior presença feminina
A vereadora ressaltou que pretende utilizar o espaço para defender políticas voltadas às mulheres
-
Política08h59 de 03/08/2026
Câmara e ALBA retomam atividades após recesso parlamentar
Eleições devem reduzir o ritmo de trabalho na Câmara e na ALBA
-
Política08h42 de 03/08/2026
Moraes cobra explicações de Daniel Silveira por vídeo
STF investiga se Daniel Silveira violou restrições do regime aberto ao participar de vídeo publicado nas redes sociais de senador do PL
-
Política08h18 de 03/08/2026
Jerônimo nomeia novo chefe da CTB
Alan Oliveira assume o comando da CTB após a saída de Eracy Lafuente para a Casa Civil
-
Política08h18 de 03/08/2026
Da prisão nos EUA, Maduro defende diálogo na Venezuela
Líder de esquerda pediu "respeito mútuo" e paz durante semana de negociações









