Publicado em 03/08/2026 às 10h59.

Mercado reduz previsão da Selic e corta expectativa de inflação

A informação foi divulgada nesta segunda-feira (3) no Boletim Focus do Banco Central (BC)

Neison Cerqueira
Imagem: Redes sociais

O mercado financeiro reduziu pela primeira vez desde março a projeção para a taxa básica de juros da economia brasileira em 2026. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (3) pelo Banco Central (BC), a expectativa é que a Selic encerre o próximo ano em 13,75%, abaixo da previsão anterior de 14%.

O levantamento também apontou uma nova redução nas estimativas para a inflação. Pela quinta semana consecutiva, os analistas consultados pelo BC revisaram para baixo a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o índice oficial de inflação do país.

A previsão atual é de que o IPCA termine 2026 em 5,03%, contra a estimativa de 5,12% divulgada na semana passada. Há quatro semanas, a expectativa era de inflação de 5,30%.

PIB e dólar mantêm projeções para 2026

As estimativas para o crescimento da economia brasileira e para a cotação do dólar permaneceram estáveis para 2026.

De acordo com o Boletim Focus, o mercado mantém a previsão de crescimento de 1,99% do Produto Interno Bruto (PIB) e dólar cotado a R$ 5,20 ao final do período.

Já para 2027, houve pequenas revisões nas projeções. A expectativa de crescimento econômico caiu de 1,60% para 1,57%, enquanto a previsão para o dólar passou de R$ 5,29 para R$ 5,28.

Selic pode ter redução até o fim de 2026

A nova projeção representa uma mudança na expectativa do mercado para a política monetária. Na semana passada, os economistas estimavam que a Selic terminaria 2026 em 14%.

A última vez em que o Boletim Focus registrou uma redução na previsão da taxa foi em março de 2026, quando a mediana caiu de 12,13% para 12%.

Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em reunião realizada em junho. A próxima decisão do colegiado está prevista para os dias 4 e 5 de agosto.

Para os anos seguintes, as projeções permaneceram inalteradas: 12% em 2027 e 10,5% em 2028.

Inflação segue como principal fator para decisão do BC

A taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.

Quando os juros sobem, o objetivo é reduzir o consumo e desacelerar a alta dos preços, já que o crédito fica mais caro e a população tende a poupar mais. Por outro lado, taxas elevadas podem limitar o ritmo de crescimento da economia.

Com a redução dos juros, a tendência é de estímulo ao consumo e aos investimentos, favorecendo a atividade econômica, mas com menor pressão de controle sobre a inflação.

Além da Selic, instituições financeiras consideram outros fatores na definição das taxas cobradas dos consumidores, como risco de inadimplência, custos operacionais e margem de lucro.

Projeções para inflação nos próximos anos

Para 2027, o mercado manteve a previsão de inflação em 4,22%, enquanto para 2028 a expectativa segue em 3,80%.

As projeções do Boletim Focus são elaboradas a partir das estimativas de instituições financeiras consultadas pelo Banco Central e servem como referência para as expectativas do mercado sobre a economia brasileira.

Neison Cerqueira
Jornalista, com atuação na área de política e apaixonado por futebol. Foi coordenador de conteúdo do site Radar da Bahia, repórter do portal Primeiro Segundo e colunista em ambos os veículos. Atuou como repórter na Superintendência de Comunicação da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas e, atualmente, cobre política nos portais bahia.ba e Política Ao Ponto.

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