Publicado em 03/08/2026 às 19h12.

Festival de Inverno Bahia vai além dos shows e movimenta Conquista o ano inteiro

Diretora da Salvador Produções detalha bastidores, impacto econômico e os 20 anos do festival

Marcos Flávio Nascimento
Foto: Divulgação

 

O Festival de Inverno Bahia (FIB) completa 20 anos em 2026 consolidado como um dos principais eventos do calendário cultural brasileiro. Mas, segundo a diretora executiva de eventos da Salvador Produções, Michelle Marchesini, o sucesso do festival vai muito além da programação musical e da estrutura montada durante três dias em Vitória da Conquista.

Em entrevista exclusiva ao bahia.ba, a executiva afirma que o evento já se tornou parte da identidade da cidade e impulsiona diferentes setores da economia local. “Quando falamos de Vitória da Conquista em outras regiões do país, é comum ouvir: ‘Ah, é a cidade do Festival de Inverno Bahia’. Isso mostra o quanto o evento passou a fazer parte da identidade do município”, destaca.

Foto: Arquivo Pessoal

A edição deste ano acontece entre os dias 21 e 23 de agosto, no Parque de Exposições Teopompo de Almeida, reunindo nomes como Maria Bethânia, Ludmilla, Bell Marques, Wesley Safadão, Belo, Marcelo Falcão, Zé Ramalho, Henry Freitas, além do projeto Dominguinho, com João Gomes, Mestrinho e Jota.Pê.

Para Michelle, chegar à marca de duas décadas representa o resultado de uma construção baseada em planejamento, experiência do público e credibilidade junto ao mercado. “Os patrocinadores renovam seus investimentos porque entendem que o FIB entrega muito mais do que exposição de marca. Ele proporciona relacionamento, experiências relevantes e conexão genuína com o público.”

Festival movimenta turismo e economia da região

Embora aconteça em uma cidade do interior da Bahia, o FIB já ultrapassou as fronteiras regionais. Segundo a diretora, Vitória da Conquista reúne hoje condições que permitem receber artistas do mesmo porte dos grandes festivais realizados nas capitais brasileiras.

Além da estrutura de hotelaria, gastronomia, aeroporto, comércio e malha rodoviária, Michelle atribui parte desse sucesso ao próprio público conquistense. “O Festival foi abraçado pela cidade desde a primeira edição. Essa sensação de pertencimento faz com que artistas, patrocinadores e parceiros queiram estar aqui. O evento movimenta toda a cidade.”

Os reflexos econômicos vão além dos dias de shows. De acordo com a executiva, semanas antes da abertura dos portões já é possível perceber o aumento da procura por hospedagem, transporte e serviços.

A expectativa é de que a rede hoteleira alcance praticamente 100% de ocupação, enquanto bares, restaurantes, supermercados, postos de combustíveis, aplicativos de transporte, salões de beleza e o comércio em geral registrem crescimento no movimento.

A organização estima ainda que a operação do festival gere cerca de cinco mil empregos diretos e indiretos, envolvendo profissionais de diversas áreas, desde montagem de estruturas até produção, alimentação, logística e segurança.

Montagem começa um mês antes do público chegar

Para quem vê apenas o palco pronto, é difícil imaginar a dimensão da operação necessária para colocar o festival de pé. Segundo Michelle Marchesini, a preparação da edição seguinte começa logo após o encerramento da anterior. Já a montagem física no parque tem início cerca de 30 dias antes do evento.

“O maior desafio é sincronizar todas as equipes. Existe uma sequência muito bem planejada. Uma estrutura precisa estar concluída para que outra possa entrar em seguida. O palco precisa estar pronto para receber som, iluminação e painéis de LED. Depois vêm cenografia, ativações das marcas, gastronomia e todos os demais serviços.”

Ela explica que essa integração entre dezenas de empresas e centenas de profissionais é determinante para que o público encontre um evento funcionando de forma fluida.

Público quer viver uma experiência completa

Se há vinte anos um bom line-up era suficiente para atrair o público, hoje isso mudou.

Na avaliação da diretora, o consumidor passou a analisar toda a experiência proporcionada pelo festival, desde a compra do ingresso até o retorno para casa após o encerramento dos shows.

“As pessoas observam acesso, segurança, conforto, gastronomia, banheiros, ativações das marcas, conectividade, sustentabilidade. Um grande line-up continua sendo importante, mas deixou de ser suficiente.”

Essa mudança também influencia diretamente a curadoria artística. Michelle afirma que a escolha das atrações parte de pesquisas, acompanhamento de tendências e da escuta constante do público.

“O Festival busca reunir artistas consagrados, nomes em alta, novos talentos e projetos especiais. Queremos que diferentes gerações e perfis de público se sintam representados”, afirmou.

Os próximos capítulos do FIB

Mesmo após duas décadas de história, a organização garante que o festival ainda está longe de atingir um formato definitivo.

“Um festival nunca chega ao formato ideal porque o entretenimento muda o tempo todo. A tecnologia evolui, o comportamento do público também. Nosso compromisso é preservar tudo aquilo que fez do Festival de Inverno Bahia uma referência nacional, mas continuar inovando”, declarou a diretora.

Para Michelle Marchesini, os 20 anos representam apenas o início de um novo ciclo.

“Temos muito orgulho da história construída, mas acreditamos que os melhores capítulos do Festival de Inverno Bahia ainda estão por vir”, disse.

Serviço

Festival de Inverno Bahia 2026

Quando: 21, 22 e 23 de agosto
Onde: Parque de Exposições Teopompo de Almeida, Vitória da Conquista

Atrações

Sexta-feira (21):

  • Projeto Dominguinho (João Gomes, Mestrinho e Jota.Pê)
  • Zé Ramalho
  • Henry Freitas

Sábado (22):

  • Maria Bethânia
  • Ludmilla
  • Bell Marques
  • Trio da Huanna

Domingo (23):

  • Marcelo Falcão
  • Belo
  • Wesley Safadão

Ingressos: disponíveis pela plataforma Sympla, na loja Bora Tickets (Shopping da Bahia, em Salvador) e em diversos pontos físicos de Vitória da Conquista.

Informações: @fiboficial e @ssaproducoes

Marcos Flávio Nascimento
Jornalista com experiência em cidades, política, entretenimento e comunicação digital. Atuou no iG, além de passagem pela Approach Comunicação, com foco em conteúdo de negócios, tecnologia e investimentos. Foi coordenador de comunicação na SECIS/Prefeitura de Salvador e assessor parlamentar, liderando equipes e estratégias de conteúdo. Atualmente, é repórter no portal Bahia.ba e Portal Esfera.

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