Publicado em 04/08/2026 às 11h52.

Musical negro inspirado em música de Gilberto Gil chega a Salvador para temporada especial

Espetáculo desembarca em Salvador, cidade que serve de cenário para a história, para uma temporada especial de 14 a 16 de agosto

Redação
Foto: Priscila Prade

 

Clássico do Tropicalismo e uma das composições mais significativas da carreira de Gilberto Gil, a premiada canção Domingo no Parque ganha versão para os palcos em um potente musical negro. Com direção de Alexandre Reinecke, um dos diretores mais atuantes do país, e direção musical de Bem Gil, o espetáculo desembarca em Salvador — cidade que serve de cenário para a história — para uma temporada especial de 14 a 16 de agosto (sexta a domingo), às 20h, no Teatro Faresi (antigo ISBA).

Apresentada pela primeira vez no 3º Festival da Música Popular da TV Record, em 1967, Domingo no Parque é considerada um dos marcos da Tropicália ao misturar elementos brasileiros – como o violão e o berimbau – com a guitarra elétrica e levou o segundo lugar no prêmio. A canção tinha arranjo de Rogério Duprat e participação da banda Os Mutantes.

O musical teve aprovação do próprio Gil, e destaca importantes influências negras na cultura e sociedade, em elementos como os costumes, danças, a religiosidade, os arranjos musicais, as vestimentas, a alimentação e a capoeira.

O projeto é um sonho antigo de Alexandre Reinecke, que há 30 anos tenta montar o espetáculo.

“Sempre fui um apaixonado pela capoeira. Comecei a praticar com 14 anos. Pouco tempo depois comecei a fazer teatro e, assim que ouvi a música, pensei em um musical de capoeira. Em 1995 escrevi o primeiro esboço, mas tinha que ter o aval de Gil. O irmão de um amigo, Rodolpho Stroeter, estava produzindo um disco dele e fez a ponte. Em um belo dia, Gil me ligou e disse que havia gostado muito da história e que eu poderia seguir. Foi o que fiz. No começo eu mesmo queria fazer o João, nem era diretor nessa época. Desde então venho batalhando para produzir. Tanta coisa mudou. Virei diretor e encenei 59 peças – esta é a 60ª. O país mudou e este é o momento”, disse Alexandre Reinecke.

A trama se passa em Salvador, no início da década de 1970 e tem como pano de fundo toda a situação sociopolítica do Brasil, que atravessava a violenta opressão da Ditadura Civil-Militar. No bairro da Ribeira, toda tarde João, José e um grupo de amigos se reúnem para jogar capoeira, em um momento de descontração e divertimento

Quando José leva seu amigo João para assistir a um show de sua amada Juliana, a relação entre os dois fica abalada. Juliana, que agora passa a frequentar a roda de capoeira, teve no passado um romance avassalador com João, que terminou quando ele engravidou a jovem Juci. Enquanto eles estavam afastados, Juliana seguiu seu sonho de ser cantora e passou a cantar nos bares da cidade. Ela também tornou-se atuante nos movimentos contra a ditadura e passou a ser vigiada pelos militares.

A trilha sonora conta com 20 músicas que atuam como fio condutor da história, sendo três delas compostas exclusivamente para o espetáculo (com letras de Alexandre Reinecke e melodia de Bem Gil), 10 de Gilberto Gil e as demais amplamente conhecidas pelo público, incluindo composições de Carlos Lyra, Dominguinhos e Anastácia, Dorival Caymmi, Jorge Ben Jor, Chico Buarque, Tom Jobim e Jackson do Pandeiro.

 

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