Mansur diz que Neto ‘se faz de cego’ sobre aliados bolsonaristas

    Candidato do PSOL reage à postura do ex-prefeito sobre anistia a Bolsonaro e aponta contradições

    Foto: Reprodução/Instagram

    O candidato ao Governo da Bahia pela federação PSOL-REDE, Ronaldo Mansur (PSOL), criticou a postura do ex-prefeito de Salvador e adversário político ACM Neto (União Brasil).

    Em entrevista exclusiva ao bahia.ba, Mansur afirmou que Neto “se faz de cego, surdo e mudo” ao ignorar declarações de aliados e o alinhamento com o bolsonarismo no estado.

    A reação ocorre após ACM Neto declarar que não presenciou a fala do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que, caso seja eleito presidente, concederá anistia ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso por golpe de Estado.

    Mansur ataca aliados de Neto

    Para o postulante do PSOL, a atitude de Neto reflete uma estratégia de convivência com contradições internas de seu grupo político, que abriga desde quadros conservadores a defensores do ex-presidente.

    “ACM Neto se faz de cego, surdo e mudo. Porque é evidente que no grupo político do mesmo tem de tudo, é uma floresta ali, com diversificações políticas de A a Z, a partir do seu vice, que é um negacionista, onde o mesmo disse que existem ‘vacinas e vacinas’. Esse é um discurso bolsonarista negacionista”, declarou Mansur alfinetando o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP).

    Anistia ao ex-presidente

    Ao comentar a fala de Flávio Bolsonaro sobre a anistia ao ex-presidente, Mansur classificou o aceno como um desrespeito às vítimas da Covid-19 no Brasil e criticou a proximidade velada de Neto com a base bolsonarista baiana.

    “Ele fechar os olhos e flertar, ao mesmo tempo, com a base bolsonarista na Bahia e dizer que não sabe… fechar os olhos ao que o Flávio Bolsonaro declarou de que, caso seja eleito, irá dar anistia ao paizinho dele, o responsável por mais de 700 mil mortes no Brasil no período da Covid, responsáveis por milhares de mortes de baianos e baianas. O DNA político do ACM Neto nesse processo eleitoral está bem desenhado”, afirmou.

    Angelo Coronel

    Na entrevista, o candidato do PSOL também mirou em outras lideranças políticas ligadas a ACM Neto, citando o senador Angelo Coronel (PSD) e o ex-ministro João Roma (PL), resgatando episódios da última eleição estadual.

    “Ele esquece que no seu grupo existem aqueles apoiadores do 8 de Janeiro, da tentativa de golpe. Ele esquece que um dos seus candidatos na eleição passada o chamou de ‘afroconveniente’ durante um dos debates. São essas contradições que existem no grupo do ACM Neto. Aquele que saltou de paraquedas do grupo que o elegeu senador e que uma das maiores vitórias nessa eleição é a derrota do Angelo Coronel, e será derrotado”, concluiu Mansur.