Publicado em 05/08/2026 às 12h46.

Colisão de foguete da SpaceX com a Lua pode ter criado nova cratera

Segundo a NASA, impacto do Falcon 9 ocorreu na madrugada desta quarta-feira (5)

João Lucas Dantas
Foto: Mario Tama/Getty Images

 

Uma seção do foguete Falcon 9, da SpaceX, colidiu com a Lua na madrugada desta quarta-feira (5), nas proximidades das crateras Einstein e Bell, segundo informações da NASA.

O impacto pode ter formado uma nova cratera de aproximadamente 18 metros de largura e 3,5 metros de profundidade, além de lançado poeira e rochas pela superfície lunar.

O segundo estágio do foguete, que viajava a cerca de 8.700 km/h, possui aproximadamente 14 metros de comprimento, 4 metros de largura e massa estimada em 4 toneladas.

A estrutura estava em órbita desde janeiro do ano passado, quando foi utilizada em missões que levaram ao espaço os módulos lunares Blue Ghost-1, da Firefly Aerospace, e Hakuto-R, da iSpace.

Impacto raro na Lua

A ausência de atmosfera na Lua faz com que o satélite natural seja atingido diariamente por meteoroides, já que esses objetos não encontram resistência para diminuir sua velocidade durante a aproximação.

No entanto, impactos provocados por rochas espaciais com energia semelhante à do estágio do Falcon 9 acontecem, em média, a cada seis dias, de acordo com a NASA.

Já colisões envolvendo objetos produzidos na Terra são muito menos frequentes. Um dos casos mais recentes ocorreu em 2022, quando fragmentos de um foguete utilizado em uma missão chinesa atingiram a superfície lunar e provocaram a formação de duas crateras.

A NASA estima que a energia liberada pelo impacto do estágio do Falcon 9 tenha sido equivalente à explosão de aproximadamente 2,8 toneladas de TNT. O incidente não oferece risco à Terra.

Segundo a agência espacial americana, forças gravitacionais e a atividade solar modificaram a trajetória do objeto ao longo dos meses. Como o estágio não possuía combustível nem sistemas em funcionamento, os controladores não conseguiram alterar sua rota para impedir a colisão.

“Embora não tenha sido planejado neste caso, o descarte dos estágios superiores na superfície lunar é um método tecnicamente aceito e seguro e, em alguns casos, pode ser a única opção viável para missões em órbita lunar baixa”, afirmou a NASA em comunicado.

A agência também destacou que o procedimento foi realizado de maneira adequada pela SpaceX, empresa fundada por Elon Musk.

Impacto pode contribuir para pesquisas científicas

A colisão do Falcon 9 não pôde ser observada a olho nu. Ainda assim, diversos telescópios terrestres estavam preparados para acompanhar o momento do impacto. As condições climáticas e de iluminação, porém, podem ter prejudicado algumas observações.

Telescópios e equipamentos de missões espaciais também ficaram preparados para registrar imagens da região antes e depois da queda.

A obtenção desses registros depende de fatores como iluminação, posição das espaçonaves e momento orbital. As imagens devem ser divulgadas nos próximos dias.

De acordo com a NASA, os dados coletados poderão ajudar os pesquisadores a compreender melhor os impactos artificiais na Lua e suas consequências para a exploração espacial. As informações também devem contribuir para o estudo da geologia lunar e para o planejamento de futuras missões ao satélite natural.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde, Viva Comunicação Interativa, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador e portal Bahia Econômica. Atualmente, é repórter de Cultura no bahia.ba. Contato: jlucas9915@gmail.com

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