Publicado em 06/08/2026 às 14h31.

Milhares de fiéis comparecem à 335ª Romaria de Bom Jesus da Lapa

De acordo com informações do próprio Santuário da Bom Jesus da Lapa, a história do templo gira em torno do pintor e ourives português

Lívia Patrícia
Santa Missa Solene em honra ao Bom Jesus, em 2026 (Foto: reprodução/Redes Sociais @santuáriolapa)

 

A 335ª Romaria de Bom Jesus da Lapa se encerra nesta quinta-feira (6) e marca mais um ano de celebrações da fé católica no município do Médio São Francisco. Neste ano, os organizadores da festa esperavam cerca de 700 mil pessoas para viver momentos de oração e celebração norteados pelo tema “O Bom Jesus, Filho da Virgem Maria, habita entre nós” e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).

Em 2026, o objetivo foi discutir sobre a presença de Deus na história da humanidade e sua manifestação na vida das pessoas. Entre os temas abordados estavam a missão da Igreja, a dignidade da moradia, o acolhimento aos migrantes, a população em situação de rua e a esperança da vida eterna.

Ano a ano, a tradição cresce e atrai pessoas da Bahia e do Brasil, reafirmando o título de “Capital da Fé”. O maior emblema disso é o Santuário de Bom Jesus da Lapa, uma igreja esculpida numa gruta calcária. Além da devoção, os visitantes aproveitam para conhecer um pouco da história do local.

História do Santuário de Bom Jesus da Lapa

De acordo com informações do próprio Santuário da Bom Jesus da Lapa, a história do templo gira em torno do pintor e ourives português Francisco de Mendonça Mar, que decidiu vir para o Brasil a trabalho e abriu uma oficina em Salvador.

Em 1688, Mendonça Mar foi convidado para pintar o palácio do governador, mas, em vez de receber o pagamento, foi açoitado e preso após pedir o salário.

Depois de sair da prisão, em 1691, o devoto de Nossa Senhora da Soledade decidiu que viveria unicamente para Deus. Com uma estampa da santa e o crucifixo do Bom Jesus, Francisco de Mendonça Mar saiu sem destino em busca de um lugar para viver na solidão e, após dias caminhando, chegou a uma gruta à margem do Rio São Francisco.

Nesta gruta, o português fez um altar dedicado ao Bom Jesus e à Soledade. O local era rota para viajantes que trabalhavam com exploração de ouro em Minas Gerais e, no século XVII, era habitado por alguns indígenas da etnia Tapuia.

Muitas dessas pessoas entravam nessa gruta e encontravam com o português que oferecia, entre outras coisas, cuidado aos doentes – o que fez com que começassem a surgir os primeiros visitantes no templo e, posteriormente, deu origem às romarias.

A movimentação chegou aos ouvidos do então arcebispo da Bahia, Dom Sebastião Monteiro da Vide (1643 – 1722), fazendo com que ele convocasse o pintor português para Salvador para que ele se tornasse padre. Após passar pelos ritos de sacerdócio, Francisco de Mendonça Mar se tornou Francisco da Soledade: o primeiro padre do Santuário de Bom Jesus da Lapa.

Padre Francisco da Soledade faleceu em 1722, mas a devoção no local continuou crescendo e, hoje, o município de Bom Jesus da Lapa recebe cerca de dois milhões de visitantes ao longo do ano.

Nas proximidades da entrada do Santuário, uma estátua faz homenagem ao fundador. Ele é recordado também no dia 31 de agosto, data da emancipação política da cidade de Bom Jesus da Lapa.

Lívia Patrícia
Sou soteropolitana e apaixonada por arte e cultura. Bacharela Interdisciplinar em Artes e Jornalista pela UFBA, tenho passagem pela Agência Diadorim, BP Money, g1 Bahia. Também participei da segunda turma do Focas Estadão (Curso Estadão de Jornalismo) de Saúde. Cubro Municípios no bahia.ba

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