A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) cobrou explicações da Prefeitura de Salvador após a administração municipal divulgar percentuais diferentes para o andamento das obras da Escola Municipal do Curralinho, unidade destinada ao atendimento de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Enquanto o prefeito Bruno Reis (União Brasil) afirmou, em setembro de 2024, que o equipamento estava com 90% das obras concluídas, a Secretaria Municipal da Educação informou, em março deste ano, que o avanço físico era de aproximadamente 70%.
Para a parlamentar, a divergência entre os números apresentados pela própria gestão municipal precisa ser esclarecida. “A conta que fez a obra andar para trás precisa ser explicada.”
Aladilce também questionou o fato de Bruno Reis ter atribuído, na mesma entrevista em que anunciou o percentual de 90%, as políticas de inclusão da capital baiana à gestão do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil). Na avaliação da vereadora, o atual prefeito não pode dissociar a responsabilidade pela condução da administração.
“O prefeito não pode recorrer ao antecessor para dividir os louros e tentar isolá-lo quando aparecem os problemas. Bruno é o sucessor político de Neto e administra Salvador com o mesmo grupo há 14 anos.”
Inquérito do MP
A parlamentar é autora da Notícia de Fato que motivou a abertura de um inquérito civil pela Promotoria de Justiça de Proteção da Moralidade Administrativa e do Patrimônio Público de Salvador para apurar supostas irregularidades no contrato firmado entre a Prefeitura e a empresa Nordeste Engenharia.
Segundo Aladilce, mais de R$ 12,5 milhões já haviam sido pagos sem que a escola fosse entregue. Ela afirma ainda que, após rescindir o contrato, a Prefeitura voltou a contratar a mesma empresa por cerca de R$ 6,5 milhões, fazendo com que o custo estimado da obra ultrapassasse R$ 19 milhões.
Na avaliação da vereadora, além de esclarecer a aplicação dos recursos públicos, a administração municipal terá de informar ao Ministério Público da Bahia qual dos percentuais divulgados representa a situação real da construção.
Aladilce visitou canteiro de obras
Aladilce afirmou ter acompanhado pessoalmente o andamento das apurações junto ao Ministério Público. “O Ministério Público ouviu minhas denúncias. Estive lá duas vezes.”
Ela também contestou declarações do prefeito sobre a retomada das obras. Segundo a parlamentar, apesar do anúncio de que a construção havia sido retomada “a todo vapor”, não havia trabalhadores no local durante as visitas realizadas por ela.
“Não tinha vapor nenhum.”
A vereadora informou que registrou a situação em vídeo e encaminhou ofício à Secretaria Municipal da Educação solicitando documentos e um cronograma atualizado da obra. De acordo com ela, não houve resposta da pasta.
Cobrança pela entrega
Prevista para ser inaugurada em 2023, a Escola Municipal do Curralinho foi projetada para atender cerca de 800 estudantes com Transtorno do Espectro Autista. Para Aladilce, a demora na conclusão da unidade contrasta com o discurso da gestão municipal sobre a educação e a inclusão em Salvador.
“As famílias da capital continuam esperando por uma escola que estava 90% pronta, caiu para 70% e nunca abriu as portas.”
Essa versão coloca Aladilce como protagonista da narrativa, deixando as ações da vereadora (cobrança, denúncia, representação ao MP e fiscalização da obra) no centro da matéria, como é comum em reportagens focadas na atuação parlamentar.

