Publicado em 07/08/2026 às 10h25.

Ciclone e El-Niño: O que pode acontecer em Salvador?

Defesa Civil avalia reflexos de fenômenos climáticos e ondas de calor na capital

Pevê Araújo
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

A formação de um ciclone extratropical que provocou tempestades, vendavais de mais de 120 km/h e até tornados na Região Sul do país voltou a acender o alerta para a ocorrência de eventos climáticos extremos.

Diante desse cenário, o bahia.ba entrou em contato com a Defesa Civil de Salvador para saber se crises climáticas semelhantes podem afetar a capital baiana.

Apesar de a dinâmica atmosférica do Nordeste ser diferente da Região Sul, Salvador não está imune às transformações do clima. A principal atenção dos órgãos de monitoramento está voltada para a chegada do fenômeno El Niño e para o aumento global das temperaturas.

Salvador pode sofrer com ciclones?

Em entrevista, o diretor-geral da Defesa Civil de Salvador (Codesal), Adriano Silveira, explicou que o órgão acompanha as projeções com foco na prevenção de impactos urbanos.

“Ainda não há confirmação da formação de um ‘super’ El Niño, mas qualquer alteração climática significativa exige atenção. Em Salvador, podemos ter temperaturas mais elevadas e mudanças no comportamento das chuvas, geralmente ocorrendo eventos de precipitação intensa em um curto espaço de tempo”, pontuou o gestor.

Chuvas fortes e aumento da temperatura

Diferente dos ciclones que atingem com mais frequência as latitudes do Sul, os efeitos previstos para a Bahia sob a influência do El Niño tendem a se manifestar pelo aumento das ondas de calor e por um padrão desconhecido de chuvas.

“Temperaturas mais altas ampliam os desafios da Defesa Civil de Salvador, exigindo monitoramento não apenas das chuvas, mas também de ondas de calor e outros eventos extremos relacionados às mudanças climáticas”, destacou Silveira.

Salvador se prepara para efeitos do El-Niño

Para antecipar possíveis cenários e diminuir impactos das mudanças no clima, a Codesal opera com acompanhamento contínuo dos indicadores meteorológicos.

“A Defesa Civil mantém monitoramento 24 horas por dia, acompanhando modelos meteorológicos, radares, satélites e nossa rede de monitoramento. Quando identificamos risco, reforçamos o acompanhamento, emitimos alertas e mobilizamos as nossas equipes para atuar de forma preventiva”, afirmou o diretor-geral.

Segundo Silveira, a resposta para lidar com a frequência cada vez maior desses episódios exige planejamento no ambiente urbano.

“O maior desafio é adaptar a cidade a um clima cada vez mais extremo. Isso exige investimentos contínuos em infraestrutura, tecnologia, monitoramento e, principalmente, ações preventivas que permitam antecipar riscos e proteger vidas”, concluiu.

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