Publicado em 10/08/2026 às 18h55.

Banco Central estuda conectar Pix a sistemas de pagamentos internacionais

A medida poderia aumentar a qualidade das garantias oferecidas às instituições financeiras

Luana Neiva
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 

O Pix pode ganhar novas funções nos próximos anos, incluindo a possibilidade de ser utilizado em pagamentos internacionais e como ferramenta para facilitar a concessão de crédito. As mudanças estão entre as iniciativas avaliadas pelo Banco Central para ampliar o alcance do sistema de pagamentos instantâneos.

A autoridade monetária estuda conectar o Pix a redes de pagamentos de outros países e também a estruturas internacionais capazes de reunir diferentes sistemas. A intenção é permitir que transferências e compras no exterior sejam concluídas rapidamente, com os valores chegando ao destinatário já convertidos para a moeda local.

“Estão em discussão tanto interligações bilaterais como a participação em hubs multilaterais. Essas interligações permitiriam a realização de remessas internacionais e de transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos”, diz o BC.

A possibilidade faz parte da agenda de evolução do Pix apresentada nesta segunda-feira (10), no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025. O Banco Central também informou que acompanha experiências desenvolvidas por empresas brasileiras e estrangeiras que já utilizam o sistema em operações internacionais.

Fluxo de Pix poderá ajudar na obtenção de crédito

Outra frente em estudo é o uso do histórico de recebimentos pelo Pix como garantia para financiamentos. A proposta permitiria que empresas utilizassem seus “fluxos futuros de Pix” para melhorar as condições de acesso ao crédito.

De acordo com o Banco Central, a medida poderia aumentar a qualidade das garantias oferecidas às instituições financeiras e reduzir o custo dos empréstimos, principalmente para negócios que movimentam grande parte de suas receitas pelo sistema.

“Como resultado esperado, a solução pode contribuir para a melhoria da qualidade das garantias e para a redução do custo do crédito, especialmente para empresas com forte uso do Pix”, diz o documento.

Além das novas funcionalidades, o BC pretende reforçar os mecanismos de combate a fraudes. A agenda apresentada pela instituição reúne oito medidas para tornar mais uniforme a identificação de operações suspeitas e acelerar a resposta das instituições financeiras.

Uma das propostas é estabelecer parâmetros mínimos para determinar quando uma transação deve ser considerada suspeita. Atualmente, cada instituição define seus próprios critérios, o que, segundo o BC, pode gerar diferenças na forma como operações de risco são analisadas.

“Atualmente, esses critérios ficam a cargo das políticas de cada instituição. Isso gera comportamentos heterogêneos e permite que diversas transações que deveriam ter tratamento diferenciado, como transações de elevado valor durante horário não comercial, sejam autorizadas sem uma avaliação mais cuidadosa”, argumentou o BC.

Também está prevista a criação de um mecanismo que calculará, em tempo real, a possibilidade de uma operação ser fraudulenta. O indicador deverá utilizar modelos de machine learning, tecnologia de inteligência artificial, e poderá ser integrado aos sistemas antifraude das instituições participantes.

“Será construído com base em modelo de machine learning [de Inteligência Artificial] e deverá ser disponibilizado às instituições participantes para alimentarem os seus sistemas antifraude”, diz o informe.

Entre as demais medidas estão a padronização dos alertas de fraude, o aperfeiçoamento do compartilhamento de informações para bloqueios cautelares e a criação de um fluxo automatizado entre as instituições para acelerar a análise de operações consideradas suspeitas.

“A criação de um fluxo direto e automatizado entre as instituições permitirá a troca fluida e tempestiva de informações, o que irá facilitar a avaliação sobre a transação, de forma a aumentar a assertividade na detecção de fraudes”, informa o BC.

Luana Neiva
Jornalista formada pela Estácio Bahia com experiências profissionais em redações, assessoria de imprensa e produção de rádio. Possui passagens no BNews, iBahia, Secom e Texto&Cia.

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